sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

O Curioso Caso de Benjamin Button


A vida só pode ser entendida quando, no final dela, você olha para trás, para toda a extensão que ela representa. Ou como diz o trailer do filme, “Você só pode entender a vida ao contrario”.
O Curioso Caso de Benjamin Button. O mais humano e emotivo filme que já saiu das mãos de David Fincher, diretor dos clássicos Clube da Luta e Se7en, estreou no Brail há pouco tempo e ontem foi indicado para um montão de Oscars. Está com cara de que vai ser o grande vencedor, mas isso importa pouco. Ganhando ou não um exército de Surfistas Prateados Dourados, o filme não deixa de ser um filme fantástico em diversos níveis e por diversos motivos.



Narrada do leito de morte de uma idosa às vésperas do Furacão Katrina, conta a história de vida de um homem que simplesmente nasceu velho e retrocedeu no tempo sua vida toda. Perfeitamente exemplificado por uma bela cena inicial, cheia de significado e sentimentos pesados, o relógio dele roda no outro sentido. Dessa forma, você entra no mundo dele, vendo tudo rodar ao contrario, mas nem tanto. Um homem crescendo, enquanto diminui. Encontrando pessoas que lhe marcam, vivendo experiências, se adequando.

O filme acompanha a vida de Benjamin, uma vida de mudanças, de aventuras, de amor e romance, e ao mesmo tempo mostra a vida do outro personagem central, Daisy, o grande amor de sua vida.

A primeira coisa a se notar sobre o filme são seus efeitos de computação. O personagem de Benjamin é, em 70% do filme, obra da computação gráfica aliada à atuação de Brad Pitt. E o grande trunfo do filme é você acreditar nisso. Um velho-criança com as feições de Pitt, com poucos pontos onde você reconhece a CGI. A CGI também é usada em cenários fabulosos, e em outros personagens, para rejuvenescer ou envelhecer, mas o astro dos efeitos especiais é mesmo Benjamin. Merece prêmios, ainda mais porque é uma CGI usada a favor da história, da construção do personagem, e não só para “mostrar coisas impossíveis”.

Todos os personagens são interpretados com extrema competência, com um destaque especial para Cate Blanchett como a bailarina Daisy. Sua linguagem corporal de bailarina, aliada ao peso de sua personalidade lhe criam um personagem bem memorável. Tilda Swinton, a rainha Jadis de Narnia consegue roubar a cena novamente (parece que esse é o trabalho dela) como um dos amores da vida de Benjamin, e Brad Pitt traz a bela atuação que estamos acostumados, agora finalmente uma atuação de Oscar. Sem falar de Taraji P. Henson que interpreta a mãe adotiva de Pitt, indicada merecidamente ao Oscar.

Cada personagem é uma pequena parte do brilho do filme. Você não sente raiva do pai de Button, que o abandona no começo do filme, mas sim se desespera junto com ele. Surpresa, já que Jason Flemyng nunca teve uma atuação notável antes. O cara já foi até capanga de Carga Explosiva! E aqui ele está a nível do resto do elenco. O capitão do navio, o cozinheiro shakespeariano, a própria filha de Daisy, que acompanha sua mãe no leito de morte, todos trazem seu talento e acrescentam ao filme.

Fotografia e direção de arte bastante notáveis, e a mão de David Fincher em tudo. Você vê um padrão em seus filmes, que pararam de ter um aspecto “videoclipe”, como Clube da Luta e Quarto do Pânico, para ficarem lentos, longos, com um belo trabalho de ritmo que ajuda a contar a história, como em Zodíaco. O ritmo lento de Benjamin Button é lento pela primeira metade do filme, e acredito ser intencional o aumento dele quando Benjamin chega numa idade jovem, uma perfeita ilustração do ritmo de vida dele.

Impressiona também como há cenas em que não se consegue tirar os olhos da tela, mesmo se tratando de um filme lento. Cenas como a primeira cena do relógio, ou a cena da mulher que esquece o casaco, ou cenas mais simples, como o primeiro diálogo de Benjamin e Daisy na escola de dança são pura cinematografia mágica em ação.

É um filme assombroso. Ele te assombra com o tempo. Te lembra de que a morte é uma visita inevitável, e que todos caminham pra ela, não importando a estrada que peguem. Mas isso não quer dizer que não possa ser uma viagem bela, cheia, plena, com escolhas, onde você as vezes se sente em casa, as vezes se sente totalmente deslocado. O tempo não para, para ninguém, em nenhuma direção, como a cena final nos fala. Como vamos olhar para nossa vida quando o relógio estiver perto do fim?

(Só não gostei do beija-flor. Achei forçado.)

5 comentários:

lecão disse...

Fiquei com muita vontade de ver esse filme quando vi o trailer, depois de ler suas palavras, muito mais!
É interessante ver as afinidades nesse nosso mundo, neste caso, do Fincher e Pitt. Não sabia que eles tinham outros filmes juntos. Já vi Seven, mas não lembrava o nome do diretor. Acredito que esse seja um dos melhores deles, a tendência é melhorar com o tempo. Será que o filme faz menção a isso?
Preciso ver o quanto antes.
Abraços!!!

Loner disse...

Uma excelente crítica e sinopse de um excelente filme. Muito bom mesmo!


Mas também achei o beija-flor forçado xD

annapaula disse...

tô doida pra ver esse filme! acho que o brad pitt deixou de ser galã inexperiente e se tornou um grande ator. talvez seja influência ou não da angelina jolie, mas eu acredito que depois de sr e sra smith, ele melhorou MUITO.

Camila Pizarro disse...

Silas, acabei achando por um acaso seu blog e gostei muito. Parabéns!
você tocava nos atletas?
amplexos!

laranjinhas disse...

Realmente não me importei com as quase 3 horas de duração, gostei bastante do filme.

mas o beija-flor... é, foi forçado.

Rebeca (: