terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Porque eu amo cinema

Vi uma lista no AICN dessas, e pensei em fazer a minha, dado que cinema é algo tão essencial pra mim quanto orégano.

Eu amo cinema

Por causa, bem basicamente, do meu pai, que me viciou em ficção científica e cinema de aventura.

Por causa, bem basicamente, de Steven Spielberg.

Por causa da proximidade que a minha casa tinha com o Cine Roxy em Santos.

Porque uma das minhas primeiras memórias envolve Batman e Tim Burton.

Por causa de laranjas.

Porque eu não posso carregar isso pra você, mas posso carregar você.

Por causa dos olhos de Raul Julia.

Por causa da respiração mecânica.

Porque X marca o local.

Porque se você introduzir um pouco de anarquia, as pessoas perdem a cabeça.

Por causa de finais felizes.

Por causa de finais que me fazem pensar demais.

Por causa da escolha de Donnie. E por Mad World.

Por causa da escolha de Peter, e da mentira que ele conta no final do primeiro Homem-Aranha.

Porque você é o que você ama, e não o que te ama de volta.

Porque a única coisa que torna a existência suportável no meio do vazio é o contato.

Porque a necessidade de muitos sobrepõe-se à necessidade de poucos. Ou de um.

Porque somente Stormtroopers atiram com essa precisão.

Porque o fauno pediu sangue.

Porque Lola teve mais uma chance.

Por causa do carrinho de bebê em Os Intocáveis.

Por causa do carrinho de bebê em O Encouraçado Potemkin.

Porque, na Mostra Internacional de São Paulo em 2010, eu assisti Metrópolis ao ar livre e com a Jazz Filarmônica tocando ao vivo a trilha sonora do filme.

Porque foi num cinema, e em película, que eu descobri de onde eu conhecia ela. Era dos meus sonhos.

Porque Han atirou primeiro.

Porque o Mau atirou primeiro.

Por causa da montagem no final de Três Homens em Conflito.

Por causa da vingança suprema em Oldboy.

Por causa da operação Jantar em Casa.

Por causa dos segundos finais do primeiro Jogos Mortais.

Por causa dos créditos finais de Wall-E.

Porque o maior truque do diabo foi fazer o mundo não acreditar nele.

Por causa das sobrancelhas de Jack Nicholson.

Por causa das sobrancelhas de Hugo Weaving.

Porque "eu te amo". "Eu sei".

Porque o Gary Oldman ser quem menos brilha nos filmes do Batman, e mesmo assim é o que melhor atua.

Porcausa dos olhos de Norman Bates.

Porque o meu nome é Zé Pequeno.

Porque o Fernando Meirelles curtiu a caricatura que eu fiz dele.

Porque anjos podem ver cores, se eles quiserem.

Porque eu consigo achar fé, filosofia, amor e verdade em filmes de zumbi, alienígenas, bruxos e robôs.

Por causa de cada quilo do Robert DeNiro em Touro Indomável.

Porque me encontre em Montauk.

Porque é inevitável.

Porque haverá um dia em que a coragem dos homens falhará, mas não é este dia.

Porque no evangélio de São Lucas está escrito que o reino dos céus está dentro de cada homem. De todos os homens.

Porque precisamos lutar para manter essa promessa.

Porque quando acorda de manhã, o Superman é o Superman.

Porque eu vou desligar esse telefone, e você terá uma escolha.

Porque isso é só um cálice.

Porque James Stewart odeia sua atuação em Festim Diabólico, e eu amo.

Porque James Stewart fez Janela Indiscreta.

Porque Grace Kelly fez Janela Indiscreta.

Porque o demônio que habita Rashomon veio pra cá fugindo dos humanos.

Porque em Filadélfia, todo mundo olha nos seus olhos.

Porque nada faz sentido em Kubrick, e eu ainda não consigo tirar os olhos.

Por causa da Bíblia Sagrada em Um Sonho de Liberdade.

Beko. Beko Because.

Por causa das nuvens em Agonia e Êxtase.

Porque Jack Nicholson, Denzel Washington e Joe Pesci sempre fazem o mesmo papel, e ainda assim são papéis formidáveis.

Por causa do bigode de Daniel Day Lewis em Gangues de Nova York.

Porque o que me faz chorar em Edward Mãos-de-Tesoura é Danny Elfman.

Por causa de Asteroid Field.

Por causa de Imperial March.

Por causa de Ice Dance.

Por causa de The Breaking of the Fellowship.

Por causa de unicórnios de origami.

Porque com um único filme, eu descobri que Guilhermo Del Toro é um gênio.

Por causa da intimidade romântica sutil em Os Incríveis.

Porque eu estou falando sério. E não me chame de Shirley.

Por causa dos parafusos do Gigante de Ferro.

Porque eu me escondi embaixo da sacada porque eu te amo.

Porque um homem pode mudar de deus, mas não pode mudar de paixão.

Porque você sabe daonde vem tudo isso, parceiro?

Porque atrás dessa máscara há mais do que carne. Por trás dessa máscara há uma idéia. E idéias são à prova de bala.

Porque sempre olhe para o lado bom da vida.

Porque eu acho a sua falta de fé perturbadora.

Porque eu quero um milhão de dólares.

Por causa de Aston Martins e DeLoreans.

Porque o mundo não é o bastante. Lema da família.

Porque John Williams.

Porque Tarantino.

Porque Jurassic Park.

Porque Charlie Kauffman.

Porque Peter Sellers.

Porque Janusz Kaminski.

Porque Heath Ledger.

Porque as pessoas querem ser enganadas.


Por tantos outros motivos que eu não consigo colocar em palavras.

E você, porque você ama filmes?

sábado, 31 de dezembro de 2011

Em 2011

The time has come yet again.

Em 2011:

• Começa o governo Dilma. Os ministros não sabem o que os espera.

• Chuvas terríveis devastaram o Rio de Janeiro.

• Os rebeldes da Tunísia dão início à Primavera Árabe e tiram os ditadores do poder.

• Incêndio destrói vários carros alegóricos. O culpado não fui encontrado. Digo, quer dizer, uh...

• O presidente do Egito abdica da posição, por causa do grau de sua popularidade. Há anos estável.

• O Japão foi atingido por um terrível Tsunami que colocou à prova a disciplina, humanidade e força de vontade do povo japonês. Eles passaram no teste.

• Um maníaco ataca e mata alunos em uma escola em Realengo, no Rio de Janeiro.

• A Líbia começa a querer sair do inverno.

• Principe William casa com uma plebéia, no que pode ser considerado o evento importante mais irrelevante do ano.

• Finalmente, mataram Osama Bin Laden e deram sumiço.

• União estável entre pessoas do mesmo sexo é aprovada no Brasil.

• A Europa descobre que não tinha habilidade o suficiente pra ficar na corda bamba.

• Dominique Strauss-Kahn, presidente do FMI, é detido acusado de estupro, assédio sexual, atentado ao pudor, genocídio em massa, experiências genéticas proibidas e assalto a mão armada.

• Japão continua em frente.

• Vulcão chileno deixa todos os latinos irritados.

• Primavera Árabe: Why so Syria?

• Maníaco neo-nazista cristão biruta mata dezenas de pessoas na Noruega.

• Líbia descobre que inverno acabou e vira a casaca. Muammar Kadaffi não percebe.

• Presidente Dilma começa a fazer uma faxina interna. Ministros começam a cair.

• Muammar Kadaffi é morto. Libios comemoram. Eeee.

• Galera especializada tenta acabar com a crise impedindo o Mar Mediterrâneo de engolir a Grécia.

• Economistas descobrem que Zeus não existe.

• Agora somos 7 bilhões.

• Berlusconi vai embora. Sai mandando beijinhos.

• Chevron suja o Rio. Pra caramba.

• Ao todo, seis ministros pularam fora do governo Dilma por acusações de corrupção.

• Deus mata Kim Jong-Il.

Nos deixaram Pete Postlethwaite, Maria Schneider, Michael Gough, Elisabeth Taylor, José Alencar, Sidney Lumet, Randy Savage, Jack Kevorkian, Peter Falk, Itamar Franco, Amy Winehouse, Cliff Robertson, Steve Jobs, Sócrates Brasileiro Sampaio de Souza Vieira de Oliveira, entre muitos outros. Muammar Kadaffi e Kim Jong-Il não terão sua falta sentida.

Muito aconteceu comigo. Tive crises. Alegrias. Vitórias. Derrotas. Conheci gente, esqueci de gente.

E o mundo continua girando. E pelo balanço do ano, continuo não conseguindo condenar o dilúvio nem um pouco.

Mais uma chance para você, humanidade. Amanhã é 2012.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Super 8, Nostalgia, e o Poder do Cinema

Vou misturar a crítica de Super 8 com um relato bem pessoal.

Eu tenho tido um ou outro contratempo ultimamente. Se eu acreditasse em inferno astral, diria que ele teve um delay esse ano. Mas tenho passado momentos bem difíceis de dúvida, inquietação, ansiedade monstruosa, sem conseguir permanecer calmo e focado. Escrevi um pouco disso no texto anterior.

E num momento de extremo furor, meu irmão vira pra mim e fala "Pára tudo. Vamos assistir Super 8. Você vai gostar, vai esquecer de tudo isso". Uma hora depois estavamos lá para assistir o filme que mais prometia no ano. Ele, pela segunda vez, querendo pescar detalhes.



O jovem Joe Lamb está crescendo, e está precisando rapidamente aprender a perder coisas, deixá-las para trás. E a sobreviver momentos ruins. Ele e um grupo de amigos, que vivem confortavelmente numa cidadezinha dos Estados Unidos, estão produzindo um filme, e no meio de uma cena, presenciam um acidente de trem. Pouco depois, coisas estranhas começam a acontecer na cidade, e talvez eles possam resolver o mistério.

A premissa é previsível, quase o resumo de muitos filmes da Sessão da Tarde, e não se complica muito além disso, e dos temores e amores infantis. Mas não estamos falando de um filme comum, nem de um diretor comum. Nem de uma intenção comum.

J.J. Abrahms não só criou Lost, a série mais importante da década (se o final de Battlestar Galactica não fosse um lixo), mas dirigiu dois filmes quase impecáveis no quesito de atingir seu objetivo. Star Trek revitalizou a série de ficção científica, dando um tremendo novo respirar aos personagens clássicos, e Missão Impossível III é simplesmente um dos TOP 5 filmes de ação da história. Esse cara sabe, melhor do que ninguém, usar o que o espectador não sabe em favor da história, sem nunca prejudicar o ritmo e a emoção. Menos é muito, muito mais aqui.

E o que este jovem gênio queria com esse filme? Homenagear outro gênio. Steven Spielberg, produtor de Super 8, e criador de alguns dos mais famosos e melhores filmes, capazes de aprisionar você em uma época e sentir saudade. Depois de ver Contatos Imediatos de Terceiro Grau, E.T., Tubarão, Indiana Jones e Jurassic Park várias vezes e notar que não é possível enjoar deles, você percebe que tem algo especial aí.

E Abrahms vai fundo ao pescar as essências dos filmes de ficção-científica e infanto-juvenis do mestre. E.T., Contatos Imediatos, Goonies, todos filmes com muito ou algum toque de Spielberg que são relembrados aqui. Um trabalho de paixão mesmo.

A história do filme é simples, porém seus personagens não. Não só isso, mas seus atores e a direção criativa de Abrahms, que consegue intercalar ação, suspense e emoção com uma facilidade animadora, criam um apelo tremendo. E mesmo tendo uma trama simples, isso não é motivo para que o roteiro seja mal trabalhado. Muito pelo contrário, é possivelmente um dos melhores do ano. Nuances, personagens ótimos e ocasiões cômicas são jóias inteligentemente costuradas pela trama central. Cenas que vão te contando muito usando pouco, mas significando muito mais ainda.

Aprender que coisas ruins acontecem, e que nós sobrevivemos mesmo assim, com perdão, com coragem e com amigos. O valor da família, o valor de acreditar em si mesmo. Pode ser uma mensagem antiga, mas o jeito que é transmitida, em especial na cena do "Letting Go", me emocionou pra caramba.

Em especial porque era algo que eu precisava aprender naquela hora, e precisei de um amigo pra me mostrar. Toda a amizade e cumplicidade, e a coragem de vencer algo impressionante e inexplicável.

Não só por isso, mas pelo filme ser uma homenagem tremenda ao cinema dos anos 80. E o filme tem muito de como eu mesmo sou. Gente que pára pra discutir zumbis, e cantar besteira com amigos. E gostar de coisas "alternativas" como filmes de terror e miniaturas de trens, conspirações governamentais, viagens imaginativas.

O filme certo no momento certo. Super 8 vai ser sempre lembrado por mim como um filme de qualidade impecável, efeitos magníficos e trilha sonora merecedora de Outro Oscar pro Michael Giacchino. Um roteiro sonhador e nostálgico. Mas também como um momento em que eu precisei experimentar o poder do Cinema, e eu precisava de alguém para me levar lá.

Eu li numa crítica que esse filme é uma lembrança de uma geração de crianças que foram ensinadas a sonhar por professores cineastas.

Muito obrigado, Abrahms. Muito obrigado, Spielberg. Muito obrigado, Lucas.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Path to the Dark Side

“Contos de fadas são a mais pura verdade. Não porque dizem que os dragões existem, mas porque dizem que eles podem ser derrotados.” – G. K. Chesterton

Eu encontrei medo esses dias aí.


O problemático é você se ver naquela situação de “estar do outro lado dos conselhos”. Porque eu sempre fui aquele que diz que “o medo é virtual”, que “el epode ser vencido”, que é tudo um condicionamento da sua cabeça. Que ele não é forte. E não por descuido, não por deixar de vigiar, apareceu medo e decepção. No meio de coisas ótimas acontecendo aqui e ali, um pequeno peteleco no primeiro dominó faz a sua confiança cair, e o seu dia mudar de cor.


Muito curioso isso. Chegar a perceber que eu sou tão volátil. Eu, que confio em Deus e que sou venenosamente otimista!


É de chutar o orgulho nas nozes isso. Altamente beneficiário. Perceber que você depende. Que você sozinho é uma formiga.


Engraçado o Universo me apresentar uma pessoa numa situação de sentimento semelhante, mas de profundidade totalmente diferente.


A Larissa é essa moça magnífica na foto, e ela tem um problema com medo constante na vida dela. Nos melhores dias ela o derrota. Eu recomendo que você leia diariamente o blog dela, espremendoolimao.blogspot.com.


O linfoma que fez o seu sangue ter o mesmo impacto utilitário ao corpo dela do que o forró universitário tem para a arte não ataca só o corpo dela, mas a estabilidade de todo o resto dela. E ela vive isso, usa isso, aprende e não desiste. E ela tem me inspirado.


Porque, já dizia um sábio, incerto o futuro é, difícil de prever. O mesmo sábio que disse que o medo é o caminho para o lado negro, onde a vida é uma mancha fraca e inexpressiva, e o abismo é a realidade.


Já dizia outro, que tem Alguém no controle, e esse Alguém tem planos. Todo dia é difícil confiar nesses planos. Mas não dá pra pensar na alternativa.


"Porque eu bem sei os pensamentos que tenho a vosso respeito, diz o SENHOR; pensamentos de paz, e não de mal, para vos dar o fim que esperais. Então me invocareis, e ireis, e orareis a mim, e eu vos ouvirei. E buscar-me-eis, e me achareis, quando me buscardes com todo o vosso coração." Jeremias 29:11-13

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Admiração

Você é louco, sabia?

Daqueles de varrer-se para debaixo do tapete. Daqueles de ser chutado pelo rei de Esparta.

Você faria o Ministro da Caminhada Boba parecer um duque do sapateado.

A única questão é descobrir onde fica a coisa que transporta você até o ponto em que não é essa máscara de austeridade.

Todo mundo tem um estado confortável sobre o qual é permitido mudar a postura para algo não-recomendável pelo fisioterapeuta, usar tons de voz completamente adversos, e pensar o impensável.

Infelizmente nós somos arrastados para um “mínimo denominador comum” de diferenças e de insanidade ao realizar a tarefa de conviver.

Afinal, temos que falar todos a mesma língua, e levamos isso ao aspecto da normalidade. Todos são “normais”.

Mas você sabe do que eu estou falando. Você sabe que não é normal. Você sabe que você é diferente e único. E é a sua loucura que te faz assim. A sua língua própria e inensinável.

Sua paixão, sua maneira de ver a existência. Suas piadas de humor negro, que hão de reservar-lhe um espaço de honra entre o céu e o inferno, um dia. A sua dança. O riso que só você dá, porque só você achou engraçado.

Ninguém é “normal o suficiente” pra ser de fato normal.

E como não admirar que somos incompreensíveis? Como não ver beleza em cada pedaço de bizarrice que somos capazes de realizar? Conseguimos carregar tanta vida e tanto significado em cada vez que pensamos alto, lembramos ter esquecido algo, temos vontade de dançar sem música (ou dançamos sem música) que isso não nos faz somente o “topo da cadeia alimentar”. Isso nos faz uma raça única. E tão inexplicável.

Se fomos feitos à imagem e semelhança de Deus, esse Deus deve ser muito, muito interessante. E um sucesso nas festas.

(dedicado a uma pessoa que, quando perto de mim, nunca precisou ser normal, e é a mais bonita por isso)

segunda-feira, 6 de junho de 2011

1s/s

Fiz 26 anos.

Lá nos fundos da base, soou o "Alerta 30".

Mas não acho que vá importar tanto assim. É só acostumar-se que o alerta pára de tocar. Ou acostuma-se ao barulho dele.

Há muito pra aprender e viver e fazer. De modo que não "me sinto mais velho" há um tempo.

Cada dia estou reconhecendo mais que estou chegando perto de um Futuro. Um futuro inevitável. A uma velocidade de Um Segundo Por Segundo.

E eu quero poder entender que os momentos podem ser belos e eternos, cada um a seu modo.

Quero ser como o Kevin Spacey no final de Beleza Americana, que "no final de sua vida, só podia ser grato por cada momento de sua vidinha estúpida". Quero olhar pra trás como Paulo (o São), e saber que eu completei a corrida, que eu lutei o bom combate, que eu guardei a fé.

Entender que eu soube apreciar a chuva.

Mas esses são pensamentos demasiados futuros.

Agora que tenho 26 anos e sou teoricamente um homem feito, vamos tirar esse blog das traças. Há muito para se escrever com tanta coisa acontecendo na minha vida. E no meu mundo, o planeta Terra.

Volte sempre.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Em 2010

Em 2010


Para lembrar.


Para não esquecer.


Em 2010:

- Um terremoto catástrofe oblitera o Haiti, causando a morte de 230.000 pessoas.

- Um dos maiores terremotos da história ocorre no Chile, e varre o pacífico.

- Avatar, de James Cameron, atinge a maior bilheteria da história, comprovando o apelo dos Smurfs entre o público.

- Chuvas castigam o sudeste do Brasil.

- Um vulcão islandês de nome impronunciável cancela o tráfego aéreo da Europa por um bom tempo.

- O presidente da Polônia morre em um acidente aéreo.

- O irmão gêmeo do presidente da Polônia tenta se eleger como presidente.

- A estação de extração de petróleo Deepwater Horizon, da americana BP, explode e causa o maior acidente ecológico da história dos Estados Unidos.

- O Golfo do México muda de cor.

- O primeiro transplante facial do mundo tem sucesso.

- O fundo monetário mundial salva a Grécia de afundar no Mediterrâneo.

- A Copa do Mundo começa.

- Zebras, muitas Zebras.

- O Goleiro Bruno, do Flamengo, é preso sob acusação de usar a amante para alimentar cachorros.

- A Copa do Mundo termina, e ela não é nossa. A Espanha festeja a conquista da Copa. Diego Maradona consegue provar que é uma pessoa mais digna que Dunga.

- 33 mineradores ficam presos em uma mina de cobre e ouro no Chile.

- Um site aí, Wikileaks, lança na internet cerca de 90.000 documentos secretos sobre o envolvimento dos EUA na Guerra do Afeganistão. Estados Unidos ficam descontentes.

- É declarado o fim da Pandemia H1N1.

- Deus e o diabo lutam pelos 33 mineradores chilenos. Deus vence.

- O Sport Club Corinthians Paulista completa 100 anos, e ganham um parabéns. Só um parabéns.

- É aprovada no Brasil a Lei Ficha Limpa, que impede a eleição de candidatos condenados por um tribunal colegiado.

- Pessoas de fora do Brasil ficam estarrecidas ao perceber que era necessária uma lei existir para isso.

- Eleições acontecem no Brasil, e o brasileiro manda a oportunidade de aprender a votar para longe, para muito longe.

- A Lei Ficha Limpa não barra pessoas o suficiente.

- Somem 3 bilhões dos cofres de Senor Abravanel, o patrão.

- Tiririca, eleito como deputado federal pelo estado de São Paulo com o maior número de votos da história, comprovando que o povo brasileiro não merece a democracia.

- Tiririca comprova que sabe ler, tornando sua candidatura legalmente e teoricamente legítima.

- Liu Xiaobo ganha o prêmio Nobel da paz, mas não pode ir receber o prêmio.

- O Wikileaks disponibiliza na internet cerca de 250.000 documentos diplomáticos dos EUA, no que parece ser a descoberta do maior ventilador do mundo. Todo mundo fica mal na rodinha.

- Uma nova onda de violência assola a cidade do Rio de Janeiro.

- A Coréia do Norte vai passear no parque dos testes militares, deixando todo mundo nervoso.

- A polícia e outras diversas forças armadas invadem os complexos de favelas da Penha e do Alemão, na cidade do Rio de Janeiro, e com apoio da população, começam a suprimir o tráfico de drogas no Brasil.

- Cientistas descobrem uma forma de vida baseada em outra coisa que não Entretenimento Barato.

- Elton John vira pai.

Deixaram-nos para trás Zilda Arns, J.D. Salinger, Peter Graves, Peter Steele, Frank Frazetta, Ronny James Dio, Dennis Hopper, José Saramago, Harvey Pekar, Satoshi Kon, Arthur Penn, Nestor Kirschner, Leslie Nielsen, Blake Edwards, Orestes Quércia, e supostamente, Eliza Samúdio.

Ainda no luto, Dilma é eleita presidente do Brasil.

2011 vai ser um ano muito, muito longo.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Midichlorian Rhapsody

Eu ri muito.



MACE WINDU!

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Chosenday 2010


Eu tenho muitos nomes. E o primeiro deles é Silas.


E hoje é o início do meu vigésimo quinto ano de vida.


Um quarto de século passou desde que eu respirei pela primeira vez. Desde que abri os olhos e deixei de fazer a menor idéia do que eram aquelas coisas se mexendo.


A minha memória mais antiga, lembrava eu hoje junto com o meu amigo – hóspede – parceiro no crime Brunno, é estar num sofá enrolado num cobertor assistindo Batman, do Adam West, na SBT, pensando “hoje eu tenho 3 anos de vida”. Eu tenho plena certeza de que eu não pensava em nada além do meu dia. Além do Batman de manhã. O futuro não era nada pra mim, era um conceito tão presente quanto política, arte, física quântica ou o amor verdadeiro.


Da minha memória mais antiga à minha memória mais recente, (abrir o editor de texto e deixar Mumford and Sons tocando no Winamp), essa foi a percepção que eu mais senti mudar.


Minhas concepções mais grandiosas sobre a vida, o universo e tudo mais nunca foram completamente modificadas por um “trauma” ou um livro, ou o final de Lost. Deus, família, amizades, o funcionamento de aparelhos eletrônicos, a teoria das cores, essas coisas só foram ficando mais claras e mais presentes na minha cabeça, a partir do momento que eu aprendi que eu conseguia escolher o que ficava dentro dela e o que eu jogava fora. Mas o futuro, isso virou um monstro. Cada dia que passou, o “amanhã” tornou-se mais pesado e mais denso dentro da mente. Mais chamativo, requisitando mais “processamento”.


O futuro ainda é um mistério. Os sonhos que fui cultivando enquanto caminhava por sobre a terra são sonhos enevoados e oblíquos, que só começaram a dar sinais de possibilidade recentemente. Ninguém pode se proteger do futuro. O amanhã pertencerá a nós quando não for mais amanhã, quando for simplesmente uma surpresa da qual não poderemos fugir.


Já dizia alguém. É inevitável. A um segundo por segundo, o futuro vem. E eu gostaria tanto de poder impedi-lo, mas não posso.

Alguém me disse que eu sou otimista, e eu respondi que já me chamaram de coisas piores. O futuro pode me deixar desconcertado, mas eu aprendi outra coisa nesses 25 anos. Aprendi que eu vou lidar com isso.

Aprendi que o futuro vai trazer o seu pior, e eu vou responder à altura. Eu simplesmente não terei escolha. Sempre temos que improvisar, todo santo dia, brincar de Stand Up Dramedy e fazer o melhor que podemos. E o melhor que podemos sempre é o suficiente. Porque se o Destino vai me mandar chuva, eu não devo me aborrecer. Se fosse para isso, eu não precisaria carregar meu guarda-chuva.


Eu não sei o que eu estou destinado a fazer. Não sendo sozinho, não sendo longe dos meus amigos, que são as riquezas que colhi durante minha caminhada, minha improvisação será muito mais fácil. Esse é o meu desejo, meu presente de aniversário que o Universo faria muito bem a me ceder. Meus sonhos e meus amigos, meu destino, e mais nada. Tudo o que sempre quis foi melhorar a vida de quem estava à minha volta. Se tive sucesso nisso até hoje, eu não posso dizer.


Me chamam de Silas “Chosen” Carrança Bailão. Chosen significa “escolhido”, alcunha que incorporei no meio das andadas, um pouco por causa disso. O futuro está vindo para que eu o drible, o aceite, o aproveite. Eu fui escolhido para esse futuro. E eu vou construir meu caminho até ele, e meus sonhos serão a argamassa dessa construção.


Pode vir futuro. Não estou pronto. Mas ninguém nunca está.


sexta-feira, 23 de abril de 2010

Tarantino sobre o Poder do Cinema

Surrupiado na maior cara de pau do Deep Search do Brunno Schiavon