sábado, 2 de janeiro de 2016

RETROSPECTIVA 2015

Chegou aquele momento gostoso do ano em que podemos fazer o que fazemos melhor: olhamos para trás e lamentamos. Ou festejamos!

Com vocês, a Totalmente Excelente Retrospectiva 2015.

• Começa o segundo mandato da Dilma. Ouviram-se fogos de artifício.
• Ataques terroristas na Nigéria devastam as nossas esperanças.
• Terroristas assassinam cartunistas em Paris por fazerem piadas com o profeta maior da religião deles. Espero que nunca prestem atenção na letra de "Olha a Cabeleira do Zezé". O que seria do Carnaval?
• Metade do Brasil fica sem luz.
• Um brasileiro é executado na Indonésia por querer transportar droga demais.

• A NASA manda uma sonda sondar um planeta anão chamado Ceres.
• ISIS isso, ISIS aquilo. Vai ser isso o ano todo.
• São Paulo e muitas partes do Brasil sofrem com falta d'água.
• A alta cúpula da Petrobrás renunciam. Vai ser isso o ano todo também.

• Perdemos o homem que santificou a ficção científica.




















Leonard Nimoy

• Birdman ganha o Oscar. Desperdício de madrugada pra ver isso.

• O ISIS, lembra dele, demole um monte de cidades históricas.
• Cai um avião devido ao desejo suicida do piloto. Um filme argentino já tinha previsto isso. 150 pessoas morreram.

• Perdemos a mulher que santificou o abstrato.




















Tomie Ohtake

• O Putin começa a cobiçar.
• Milhares de brasileiros vão às ruas lutar contra a corrupção, de camisa amarela e panela na mão.

• Perdemos o homem que santificou a azaração.




















Jorge Loredo

• Mais terroristas, agora no Quenia, matam um monte de gente num colégio cristão.
• Barack Obama começa a derrotar a ditadura cubana sendo boa praça.
• Um terrível terremoto destrói o Nepal. Milhares de fatalidades. Até eu tive planos mudados, iria para lá em abril para fazer pesquisa para um filme, e a viagem foi cancelada.

• Perdemos o homem que santificou a fantasia e o nonsense.




















Sir Terry Pratchett

• Os EUA continuam com a quase sagrada tradição de tratar pessoas negras de maneira absurda. O povo não foi a favor dessa tradição, e protestos apareceram.

• Perdemos o homem que santificou a provocação. Mas não devíamos.


Antônio Abujamra

• A Rubéola é erradicada das Américas!
• Esquerdopatas nojentos e coxinhas vilanescos vão à luta na internet. É como ver os meus gatos brigando.

• Perdemos o homem que santificou o blues.




















B.B. King

• Ex-presidente da FIFA José Maria Marin é preso, surpreendendo ninguém.
• Irlanda legaliza a união civil igualitária. O mundo evolui. Casamento continua sendo outra coisa.
• Nem pouco tempo depois do Blatter ter sido eleito presidente da FIFA, ele renuncia em meio à investigações e corrupção. Ah esse esporte bretão.
• ISIS trabalha muito durante o Ramadan, o que faz deles péssimos muçulmanos.

• Perdemos o homem que santificou o terror.




















Sir Christopher Lee

• Outro acidente aéreo, agora na Indonésia.
• Cuba erradica a transmissão de HIV de mãe para filho e a sífilis. Médicos cubanos não brincam em serviço.
• A Grécia dá outro presente para a Europa, quase 3000 anos depois.

• Perdemos o homem que santificou a Nintendo.




















Satoru Iwata

• Chegamos em Plutão!
• Achamos outro planeta, o Kepler 452b!
• Planetas novos continuam precisando de nomes melhores.
• EUA e Cuba voltam a ter relações diplomáticas. O embargo perdeu. A ditadura perdeu. Todos ganharam.

• A NASA declara ter encontrado água em Marte. Por essa ninguém esperava.

• Os EUA destroem um hospital do Médicos-Sem-Fronteiras. Nunca esqueça disso.
• A NASA declara ter achado água em Plutão. Comodities.

• Perdemos o rio que santificava Minas Gerais.




















• O pior desastre ecológico da história do Brasil mata muitos, desabriga muitos, e arruina futuros muitos.
• Atentados terroristas em Beirute matam dezenas de pessoas.
• Uma galera de um partido aí foi presa (incluindo o líder deles. Vish). Praticamente ninguém do outro foi.
• Atentados terroristas em Paris matam dezenas de pessoas.
• Força Aérea Turca derruba um avião russo. Caramba.
• Marty McFly chega. Não gosta do que vê. Volta.

• Um pacto de diminuição de emissões de gases nocivos é, pela primeira vez, acordado entre todos os países.
• A SpaceX lança um foguete ao espaço, ele volta, e poderá ser reutilizado.
• Eu continuo esperando alguém anunciar a descoberta do motor de dobra.

• Perdemos o homem que santificou o rock'n roll.




















Lemmy Kilmister

Além dos mencionados, perdemos ainda os cartunistas do Charlie Hebdo, Odete Lara, James Horner, Omar Sharif, Luís Carlos Miele, Maureen O'Hara, José Fonseca e Costa, Marília Pêra, o grande Wes Craven e o grande Oliver Sacks.

2015 foi uma droga de ano para muita gente. Mas foi um ano de vitória para muitas outras.

Este sou eu e a minha namorada linda na pré-estréia do primeiro longa-metragem Metanoia, que a produtora da qual faço parte, a 4U Films lançou nos cinemas do Brasil todo.





















No final, 2015 é o que você lembrar dele. Como toda porção de tempo.

Celebre a vida daqueles que foram, celebre a vida daqueles que ficaram. Celebre conquistas, obras, perdas, e o fato de que a cada manhã, nasce um Sol.

Ou dois.



2016 está aí. Faça dele um você mesmo melhor.

De 2015 eu vou simplesmente lembrar que isso aconteceu.



Deus abençoe a todos.


terça-feira, 22 de dezembro de 2015

2015 NO CINEMA

Nesse ano, um pouco diferente dos outros anos, eu consegui ver muitos filmes no cinema. Foi um ano ótimo para filmes. Eu consegui até ir na 39ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, e assisti 20 filmes! Então acredito que finalmente poderei fazer um Top Melhores do Cinema no ano. Estão em ordem de preferência junto com um pouco do porquê de estarem onde estão. Foi um grande ano para o cinema, e eu garanto alegria total ao verem cada um desses filmes.

* - Filmes que vi esse ano, provavelmente na Mostra de São Paulo, mas que ainda não estrearam por aqui. 

MENÇÕES HONROSAS: 

MISSÃO IMPOSSÍVEL - NAÇÃO SECRETA - Christopher McQuarrie
KINGSMAN - O SERVIÇO SECRETO - Matthew Vaughn 
AFERIM!* - Radu Jude
DHEEPAN*- Jacques Audiard
O QUARTO PROIBIDO* - Guy Maddin, Evan Johnson
A SENHORA DA VAN* - Nicholas Hytner
MEN AND CHICKEN - Anders Thomas Jensen
RYUZO E SEUS SETE CAPANGAS* - Takeshi Kitano
BONE TOMAHAWK* - S. Craig Zahler
VÍCIO INERENTE - Paul Thomas Anderson
RAMS* - Grimur Hákonarson 
COBAIN - MONTAGE OF HECK - Brett Morgen

E mais vários que também foram grandes inclusões no cânone cinematográfico.

Eu REALMENTE recomendo o RAMS e o COBAIN - MONTAGE OF HECK

Agora, as decepções do ano. Não são filmes necessariamente ruins. Alguns deles podem até ser bons. Podem até ser muito bons. Mas não acho que atingiram seu hype e se perderam no meio de uma ou outra escolha errada.

DECEPÇÕES DO ANO:

5. HOMEM-FORMIGA (Antman) - Peyton Reed























Homem-Formiga foi mais uma daquelas "apostas certeiras" da Marvel. Uma história de origem nos formatinhos da Marvel, com um elenco ótimo, tudo bem aparafusadinho... Mas ficou meio "boiando". Tirando as cenas de ação, coisas que eu nunca tinha visto antes MESMO, em termos de inventividade e cenografia, o resto do filme fica meio caído com a cara na terra mesmo. Os personagens são ok, seus conflitos são ok, o filme todo é ok. O vilão é péssimo, um desperdício de um ator com muito mais profundidade, como pode-se ver em House of Cards. Os momentos emocionais são desconexos, previsíveis, não convencem. O chororô, lá no começo do terceiro ato, é muito estranho. Não sei se é roteiro ou a edição que é meio atrapalhada, mas isso fez o filme desestruturar-se por completo. 

Michael Peña tem duas grandes cenas cômicas, de uma inventividade bem-vinda, que me faz pensar se essas cenas não seriam resquícios de quando o grande diretor Edgar Wright ainda estava envolvido no projeto, do qual saiu por "divergências criativas" (leia-se "não fazer um filme que perde tempo fazendo referências ao Universo Marvel"). Em suma, Homem-Formiga é o primeiro filme da Marvel no qual eu sinto que esses filmes de super-heróis estão ficando muito pastel de feira. 

Homem-Formiga dirigido por Edgar Wright. Esse é um filme que eu queria ver.



4. OS VINGADORES - A ERA DE ULTRON (The Avengers - Age of Ultron) - Joss Wheedon























Então chega a grande promessa de explodir a cabeça dos nerds com a continuação de um filme de super-heróis quase impecável. E ele não só não consegue superar o primeiro, mas ainda consegue afundar um pouco a animação, o hype, o amor que temos por esses personagens. Como no item anterior, vemos a "formulaidade" da Marvel engolindo o talento individual de seus diretores. Aqui, Joss Wheedon, o grande guerreiro de nossos corações, vai em frente e tenta entregar um filme coeso, que leve a saga inteira para frente e que ainda consiga divirtir. Ele até consegue, no que diz respeito a alguns personagens (especialmente a introdução espetacular de Visão). Mas o filme é torturantemente longo. Depois que você cansou de tanta luta contra robôs, o filme ainda tem mais uma meia hora. 

Talvez a falta de um vilão decente, algo que sobrava no primeiro filme, seja o ponto mais prejudicial. Mas o ritmo do filme e o fato de que, como eu mencionei, precisamos de inovações maiores nesses filmes, faz este ser um grande "filme estacionado". 

3. LABIRINTO DE MENTIRAS (Im Labyrinth des Schweigens) - Giulio Ricciarelli






















"If little green men from Mars landed tomorrow, you would all become green!"

Se eu estou indo na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, espero ver um filme que venha trazer um olhar diferente sobre as coisas. É o que penso quando vou ver um "filme alemão". Poxa, a Alemanha nunca me decepcionou nesse quesito. Até hoje.

Labirinto de Mentiras conta a história parcialmente real de um jovem advogado que começou sua carreira em Frankfurt, em 1954. Feliz e alegre por conta de seu invejável emprego, e dono de uma moral ilibada, verá muito de seu mundo entrar em parafuso ao descobrir os horrores do Holocausto, algo que a população quase que inteira da Alemanha daquela década desconhece. Sua consciência, fulminante e imparável, leva-o a querer chegar ao fundo de tudo, e fazer todos os culpados pelas atrocidades responderem legalmente. Vai conseguir isso, ou morrerá tentando.

A história é fantástica. Um pedaço não só da história alemã, mas da história humana que todos deveriam lembrar. Pena que está dentro de um filme tão, por falta de palavra melhor, coxinha. Tudo no filme é "impecável". O herói é banhado pela luz do paladino o tempo todo. Tudo o que faz é irretocável, dá certo. Os revezes do filme são chochos, e você consegue vê-los chegando a quilômetros de distância. Parece Hollywood. Parece um Spielberg, mas sem charme, sem senso de temática nem de personagens. O elenco até está bem, trabalhando de maneira competente com o texto ás vezes meio vergonhoso. 

E esse é o filme escolhido para representar a Alemanha no Oscar de 2016. Ok. 

2. 007 CONTRA SPECTRE (Spectre) - Sam Mendes

**SPOILERS**

Pelo menos Homem-Formiga  e Vingadores - Era de Ultron são filmes LEGAIS. POSITIVOS. BONS. Não chegam necessariamente a funcionar como deveriam, mas DIVERTEM. Tem PERSONAGENS DE QUEM GOSTAMOS e que, quem sabe, podem ficar melhor da próxima vez. 

007 Contra Spectre é uma bagunça. Daniel Craig, que já deixou muito claro que está de saco cheio de ser o eterno agente britânico, é um herói por estar tão bem como ator, tão à vontade e parecer se divertir tanto no meio de uma trama tão mal escrita. Cenas de ação "no automático". Mais uma demonstração brega além da conta do quanto poder tem o pênis de James Bond. Um capanga muito legal bastante desperdiçado. 

Mas a gente poderia deixar tudo isso passar se não fosse tanta energia desprendida para fazer um update num personagem clássico da série. Numa versão muito mais estúpida. Christoph Waltz, amaldiçoado pelo casting type, é Ernst Stavros Blofeld. Meio irmão de James Bond. 

É. Meio-irmão de James Bond. O personagem que inspirou o Dr. Evil, da sátira Austin Powers, é irmão de James Bond. E como você lembra, no terceiro Austin Powers, aprendemos que... Sim. Dr. Evil é irmão de Austin Powers.

Quando o original começa a tirar suas idéias de inovação de suas sátiras... 


1. JURASSIC WORLD - Colin Trevorrow






















Jurassic World não é um filme bom. E é um filme que quebrou inúmeros recordes de bilheteria pelo mundo.

Um momento para lembrar que recordes de bilheteria são quebrados normalmente por causa de campanhas de marketing. Não pela qualidade do filme em questão. E não há melhor peça de marketing do que um "Filme Anterior Excelente". Poucos filmes anteriores são tão excelentes quanto Jurassic Park, um dos motivos por eu me interessar por cinema. 


Jurassic World tem toda a estrutura, todo o jeito, todos os valores de produção e todos os buracos de um filme de produtor. De um diretor que está lá para gritar "ação" e "corta". Não quero menosprezar o talento de Colin Trevorrow, mas ao escolher (se é que foi ele) contar a história de uma maneira completamente referencial, copiando a mesma estrutura do filme original, ele cria um problema muito seguro (algo que aliás, OUTRO GRANDE SUCESSO do cinema deste ano também fez). Seguro porque sabe que essa fórmula foi aprovada e laureada. Problema porque é mais do mesmo. Una-se isso a atores que estão ali esbanjando o carisma natural e muito pouco mais, uma inventividade para problemas muito limitada, um design de produção preguiçoso (o Dinossauro Satanás é monótono. Pra burro. O design dele é completamente sem inspiração, diferente de todos os outros dinossauros do papai Spielberg) e crianças chatas. Crianças muito chatas. Crianças cujo drama pessoal deveria ser a força motriz do filme. Mas é só uma parte que você quer que acabe logo. Muita gente inclusive queria que elas morressem no filme.

Não vou mentir. O filme consegue fazer você vibrar nos momentos em que as homenagens funcionam. E não só isso é um mérito dividido, já que se você sorri somente pela nostalgia, está sorrindo com um pé aqui e outro no passado, mas no melhor desses momentos você tem um entrecorte que está sendo lembrado como uma das coisas mais bobas do ano no cinema (estou falando dos saltos da moça). 

Um baita voto de confiança para o diretor que vai comandar o Episódio VIII de Star Wars daqui a alguns anos. 

PIOR FILME DO ANO

QUARTETO FANTÁSTICO (Fantastic Four) - Josh Trank








Corram para as colinas. Corram por suas vidas.

Josh Trank dirigiu e escreveu o excelente Poder Sem Limites, que é um filme indie sobre super-heróis. Um filme bom pra caramba. Inovador tanto em termos de personagem quanto em termos de usar uma linguagem um pouco batida de uma maneira ótima. Então foi escalado para dirigir o retorno do Quarteto Fantástico às telas, depois dos desastrosos filmes da década de 2000. Ah céus. 

O filme tem um fiapo, quase imperceptível, de uma idéia interessante. Quando Trank disse em entrevista que se inspirava em David Cronenberg para seu filme, a perspectiva era interessante. Esse fiapo está no filme. Mas é só. Parou por aí. Dizem os boatos da produção que o diretor não teve liberdade nenhuma no processo criativo, e que nem pode acompanhar a edição final, além de ser ele mesmo uma pessoa difícil. É difícil dizer o que é o que, mas o filme é uma bomba do início ao fim. Logo no começo vemos personagens desinteressantes, desinteressados, situações bobocas e sem motivo. Há uma cena no começo do filme em que o Dr. Fantástico flerta com Sue Storm, sua futura esposa, que é tenebrosa. Deve ser assim que placas de madeira usufruem do amor. Aí temos um acidente. Uma consequência. Um monte de coisas inexplicáveis acontecendo. Atores bons em atuações horríveis. 

E eu não vou comentar o Dr. Destino. 

Eu fui no cinema pensando que não ia ser tão péssimo. Tinha lido um artigo dizendo que "tem o que se salvar". Não tem. 

Kill it with fire. 


OS 12 MELHORES FILMES DO ANO

12. A COLINA ESCARLATE (Crimson Peak) - Guilhermo Del Toro

"Ghosts are not to be taken lightly."

Depois de O Labirinto do Fauno, Guilhermo Del Toro virou gênio para mim. Ele não faz filmes geniais sempre. Mas o gênio está lá. Fazendo suas investidas em gêneros de filmes, ao mesmo tempo homenageando e distorcendo os paradigmas. Pessoas dizem que se ele fez Círculo de Fogo para o garotinho de 10 anos que vive dentro dele, ele teria feito A Colina Escarlate para a menina de 10 anos que vive dentro dele. 

Uma história com fantasmas, mas sobre outra coisa. Sobre passado, culpa, desejo, vingança. Em resumo, "gótico". É um filme que, na superfície, é simples. Tem uma história simples. Mas o design, os atores e o clima adicionam bastante ao prato. Del Toro é um desses cineastas que sabem usar a imagem para contar "a outra parte da história", e isso, meus caros, faz parte de ser um gênio. E ainda tem dois dos meus atores favoritos, o Tom Hiddlestone e a Jessica Chastain!

11. A VISITA (The Visit) - M.Night Shyamalan


"Katy Perry!"

Esse filme poderia ser mais um found-footage. E certamente, a frase anterior está em todas as críticas deste filme. Porque M. Night Shyamalan é quem dirige, e muitos esperavam mesmo "mais um found-footage". Mas Shyamalan está de volta. Depois de muitos filmes de qualidade muito questionável, ele faz um filme pequeno, mas tão sincero, tão bem feito, tão inteligente, que traz muito mais alegria do que só um filme "bom". É o retorno de um grande diretor aos filmes positivos. 

Não é uma obra-prima ao nível de Sinais, Corpo Fechado ou O Sexto Sentido, mas é tão bom saber que é um filme que funciona. Atores muito bem escalados, desenvolvimento simples, mas certeiro de personagens, e finalmente alguém que de fato entende a linguagem do "found-footage" e que não comete erros abobados, como "colocar trilha sonora". Uma pequena pérola no grande ano de 2015. Shyamalan merece! 

10. O CONTO DA PRINCESA KAGUYA (Kaguyahime no Morogatari) - Isao Takahata

"Just a little longer!"

Uma animação japonesa que finalmente pode se considerar "diferente". Apesar de que outros desenhos do Studio Ghibli ou de gente como Satoshi Kon não podem entrar na categoria "mais do mesmo", este é um desenho que nem parece um aníme. 

Parece que foi todo feito com lápis de cor, pincel, tinta. E conta uma fábula que só ganha por ter essa estética mitológica. Um filme bem cativante, bem fiel à sua cultura, e acima de tudo, muito belo e emocionante. A sequencia final é bem perto de inesquecível, definitivamente algo que eu nunca tinha visto.

9. EX MACHINA - Alex Garland


"An upright ape living in dust with crude language and tools, all set for extinction."

Uma ficção científica que vai aos pouquinhos, um passo de cada vez. Chega naqueles assuntos que só a ficção científica boa, direita, limpinha (ou muito suja) consegue chegar. Efeitos especiais que não querem chamar sua atenção para os efeitos em si, mas para a história que estão contando. Personagens e trama verdadeiramente surpreendentes. 

Há muito mais loucura aqui do que você imagina, e o final consegue ser um "microcosmo épico". Esse é o tipo de "filme pequeno" que deveria inspirar multidões a, no mínimo, discutir mais sobre vida, alma, fé e os perigos do Google. Alicia Vikander está espetacular. E Domhnall Gleeson e Oscar Isaac, provavelmente no último filme que farão como anônimos antes de estrearem em Star Wars - The Force Awakens, mostrando muito talento para o futuro. Oscar Isaac que mostra aqui , e também em Inside Llewin Davies, que tem um alcance tão sensacional que promete ser um gigante um dia. 

Assistam. 

8. A BRUXA (The Witch) - Robert Eggers

"Black Phillip told us!"

O vencedor do Festival de Sundance desse ano, este é um filme bom demais para ser o primeiro filme de alguém, como disseram várias críticas por aí. Um filme lento, mas com níveis de qualidade bombásticos em cada canto. Dos atores à fotografia, e aos cuidados com a ambientação, com a linguagem dos personagens, com a tensão. 

É um tipo diferente de filme de terror. Você não está em dúvida do que está acontecendo, você está ciente da presença das forças das trevas, e só assiste ao desenrolar inevitável do que isso causa, em termos de loucura e perdição, a uma família de puritanos do Sec. XVII. É interessante notar a talvez não-intencional leitura sobre política que há no filme. Afinal, é uma família de imigrantes enfrentando a terrível maneira com a qual o novo mundo os recebe. 

Não confie em bodes pretos.

7. PONTE DE ESPIÕES (Bridge of Spies) - Steven Spielberg

"Would it help?"

Spielberg é necessário do sempre ao sempre. Isso não é uma opinião, é uma constatação da realidade. Ele está ficando velhinho. Logo vai parar de fazer filmes, então temos que ir assistir a todos os seus filmes no cinema. 

Tom Hanks, aqui como um paladino ético, preso no conflito mais complicado do século XX. Spielberg e Hanks são mestres, e fazem parecer fácil algo que tem uma técnica complicadíssima. Temos um bônus e um pequeno revés: o roteiro é dos Irmãos Cohen, e é exemplar. A trilha sonora porém não é de John Williams, mas deixamos essa passar. Janusz Kaminsky está aqui para brincar com a luz, e como esse time pode dar errado? Um filme de moral, de consciência e de fazer o que é certo, mas sem ser coxinha. Ou sendo coxinha, mas de uma maneira exuberante.

E o Mark Rylance é o MVP aqui. 

6. BEASTS OF NO NATION - Cary Joji Fukanaga


"What is this thing doing here?"

A união de três das potências que as pessoas mais tem admirado nos últimos anos, Netflix, Cary Fukanaga e Idris Elba tinha que dar certo. E dá mais do que certo. Este é um filme difícil de assistir dada a sua "nudez". Ele não esconde nada. Não facilita nada. A trajetória de um garoto africano recrutado para um exército de crianças é uma trajetória ao inferno, que vai mostrando o quando de humanidade pode sobrar numa criança antes dela virar um demônio. 

Idris Elba interpreta o comandante da tropa, e sua atuação é épica. Um personagem que está tão perdido quanto a situação de seu país, mas mantém-se no controle, com calma, enfeitiçando sua tropa com seu carisma. Abraham Attah interpreta Agu, o protagonista, garoto que perdeu tudo e agora só tem a guerra como futuro. 

É um filme que clama por ser visto por todo o mundo. Mundo este que finge que a África não existe. Beasts of No Nation, como no título, não nomeia a nação que retrata, porque retrata a situação de pessoas de inúmeros países. Tudo com uma fotografia e uma direção especial de Fukanaga. 

Tá no Netflix. Você não tem desculpa para não assistir. 

5. PERDIDO EM MARTE (The Martian) - Ridley Scott

"I don't want to come off as arrogant here, but i'm the greatest botanist on this planet."

Que filme legal. Que filme divertido. Como é que o cara que fez Prometheus, O Conselheiro do Crime, Robin Hood e Cruzada, me faz um filme tão engraçado, que funciona tão bem, com tanta esperança e tanto respeito pelo tema? Alguém deu um abraço no Ridley Scott, e era exatamente disso que ele precisava. Matt Damon carrega um filme que nem precisava ser carregado. Um elenco inacreditável e um roteiro enxuto adaptam a história do best seller em que, simplesmente, tem um cara preso num planeta inóspito. 

A ciência é divertida, realista e muito útil aqui, diferente de certos outros empreendimentos interestelares e estéreis. Estes personagens riem, temem, choram, ficam maravilhados. E não tem medo de dizer que são muito nerds. A cena da mesa em que você faz referência a Senhor dos Anéis com o Sean Bean presente é uma delícia. 

Quero ver mais desse Ridley Scott!

***Spoiler Pequeno*** - Ganha dez pontos por fazer o Sean Bean sobreviver.


4. STAR WARS EPISÓDIO VII - O DESPERTAR DA FORÇA (Star Wars Episode VII - The Force Awakens) - J. J. Abrams 

O maior hype da história. Nada se comparava a esse filme. Todos nós fomos assistir rezando a reza nerd: "Seja bom. Seja bom. Seja bom". Afinal, estávamos traumatizados.

E é bom! É muito bom! Alguns solavancos aqui e ali, fazendo ele parar antes de ser "excelente", mas é muito bom. J. J. Abrams consegue executar sua missão de maneira completa, e nos traz mais do que nos fez amar Star Wars para começar: personagens cativantes. Em outros momentos comento o que não é tão positivo do filme, mas eis o que faz ele merecer com louvores seu lugar na lista: Finn, Rey, Poe Dameron, Kylo Ren e BB-8. Ao invés de se apoiar na velha guarda, o filme mergulha na vida dos novos personagens, trazidos à vida por atores perfeitamente escalados e dirigidos, brilhando. 

Os personagens antigos aparecem bastante, mas não roubam o brilho desses novos, que já são amados por todos que foram assistir. J. J. Abrams escorrega, mas aterrissa com elegância. Um filme de Star Wars que nós vamos lembrar para todo o sempre, sem nenhuma vontade de esquecer. Tendo visto agora pela segunda vez, a certeza é absoluta: é um filme que merece o hype e que deve ser amado. 

E tem o mais doloroso cliffhanger de todo o cinema. O Episódio VIII tem que chegar nos cinemas AGORA. 

3. SON OF SAUL (Saul Fia) - Lázló Nemes

"Are you a rabbi?"

Vencedor do Gran Prix em Cannes neste ano, e a grande jóia da Mostra de Cinema de São Paulo. Talvez o filme mais claustrofóbico da história, por ter 100% de seus frames feitos com uma lente 40mm, com o foco extremamente próximo. 

A câmera segue Saul, um prisioneiro em Auschwitz, enquanto ele tenta sobreviver aos horrores do Holocausto e também tenta realizar uma tarefa bastante complicada. Um filme para você sentir, e sentir algo horroroso. Impressionante, forte pra caramba, inesquecível. É quase um documentário didático, já que, liderados pela saga louca e dolorosa de Saul, visitamos cada um dos compartimentos e das divisões de Auschwitz, descobrindo com horror o que acontece ali. 

Daqui pra frente, filmes sobre o Holocausto precisarão de um ângulo novo. Este filme húngaro provavelmente vai levar o Oscar de filme estrangeiro esse ano, mas isso é pouco, muito pouco. Este filme precisa ser assistido por todos. 

2. MAD MAX - ESTRADA DA FÚRIA (Mad Max Fury Road) - George Miller

"It is by my hand that you will rise from the ashes of this world."

Um diretor de 70 anos de idade, que fez 4 filmes nos últimos 20 anos, enfrentou tudo o que poderia enfrentar para criar este filme. Atrasos, envelhecimento de atores. Um deserto que se transformou numa floresta. Mesmo. E agora podemos ver a maestria do cinema de ação lavar a nossa alma. George Miller é o nosso herói.

O novo Mad Max é praticamente impecável. A história tem pouca trama mas muita profundidade. Os personagens, do vilão aos coadjuvantes, esbanjam carisma e presença. O design de produção é perfeito. E eu não uso essa palavra levemente. Tudo na tela conta uma história, sobre de onde veio aquele mundo e para onde está indo. Nem podemos falar direito da ação, porque é indescritível. O filme, porém não é de Tom Hardy como Max, mas sim de Charlize Theron como Furiosa, e tem tanta coisa para falar que não vai caber aqui. 

Não merecíamos esse filme. Mas ganhamos, e agora vamos testemunhar. 

1. DIVERTIDA MENTE (Inside Out) - Peter Docter 

"Take her to the moon."

Pixar é unanimidade. Professores de roteiro dizem aos quatro ventos: os melhores roteiristas do mundo estão na Pixar. Mas como até eles são humanos, eles erram. Após alguns anos de marasmo, a Pixar não só volta com o que é discutivelmente o melhor filme que eles já fizeram, mas talvez um dos filmes  mais importantes dos últimos anos. 

Levando os conceitos de imaginação, pensamento, personalidade e emoções do clínico para o lúdico, eles criaram um universo que consegue explicar uma das teorias sobre como nossas emoções funcionam. Mas mais do que isso, explicar que o que nos torna humanos é a capacidade de sentir. E sentir tudo, até mesmo os sentimentos que a cultura nos ensinou serem "ruins". Não há sentimentos ruins, há sentimentos úteis para funções que nosso crescimento vai descobrindo aos poucos. E quando não nos deixamos ensinar, quando lutamos contra nós mesmos para entrar dentro de um paradigma, onde "a felicidade precisa ser suprema, idolatrada, 100%", deixamos de ser saudáveis. 

Esse tipo de introspecção, de uma maneira tão bonita na tela, merece aplausos de pé. 2015 foi um ano fantástico para o cinema, mas a Pixar foi além. De novo. 

FILMES QUE EU NÃO ASSISTI, E ISSO É UM CRIME PORQUE ACREDITO, PELO QUE FALAM, QUE ESTARIAM NESTA LISTA:

QUE HORAS ELA VOLTA - Anna Muylaert
SICARIO - TERRA DE NINGUÉM - Denis Villeneuve 

FILMES QUE DEVERIAM TER SAÍDO ESTE ANO, MAS NÃO SAÍRAM, QUE DROGA

OS OITO ODIOSOS (The Hateful Eight) - Quentin Tarantino
O REGRESSO (The Revenant) - Alexandro Gonzáles Iñárritu
ANOMALISA - Charlie Kaufman

FILME ESPECIAL POR UM MOTIVO BEM ESPECÍFICO

METANOIA - Miguel Nagle

"Quem tá morto não volta pra casa."

Este foi o primeiro longa-metragem a estrear em telas do cinema de qualquer lugar do mundo no qual eu participei.

Fiz consultoria no roteiro, storyboards e auxiliei em várias etapas da produção, como edição, filmagem de algumas cenas, planejamento. 

Deus me deu a oportunidade de participar de um projeto lindo, e espero que eu possa muito mais no futuro. Parabéns à 4U Films!


E este foi o meu ano no cinema. Comentem o que acharem, o que discordarem, o que pensarem!

E VÃO AO CINEMA!

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Divertida Mente e Turma da Mônica - Lições - Mágica

O uniforme amarelo da Mônica importa.
Antes: Já foi assistir Divertida Mente? Já leu Turma da Mônica - Lições? Então pode continuar.
* SPOILERS *
O funcionamento de um truque de mágica, em todo truque de mágica, se resume a chamar a atenção das pessoas para uma coisa, um lado do palco, e, enquanto a atenção está lá, o mágico tem a liberdade de usar todo o resto do mundo para fazer o truque que quiser. Normalmente é espaço o suficiente para fazer um prédio sumir ou uma moeda sair da sua orelha. Não é só uma questão de esconder o truque. É uma questão de mexer com a expectativa do público. É perverter a lógica interna de todos ali. Aquilo é uma cartola vazia, logo, nada pode sair dali.
De uma forma muito similar, as artes narrativas (literatura, cinema, quadrinhos, teatro), precisam fazer isso o tempo todo.  Não é só uma questão de ter um “final surpresa”, mas sim uma “experiência surpresa”. Uma história precisa usar o seu universo cultural contra você próprio, de maneira a subverter expectativas. Precisa atrair você, talvez com uma premissa identificável e elementos comuns, para de repente puxar o tapete e jogar um balde de água. Precisa esconder de você elementos da história, informações, até mesmo elementos temáticos, para obter revelações calculadas e extrair de você aquela emoção com a qual esses contadores de história se alimentam.
É curioso como subestimamos tanto aquilo que  vem do universo infantil. Como achamos que aquilo não tem tanto a ver com a gente, adultos tão crescidos. Como achamos que aquilo não tem como nos surpreender.
Mesmo depois de ter visto quase 10 clássicos imortais criados pela Pixar (mais uns 3 filmes BACANAS (e uns dois ruins)), eu não deveria ter ido assistir Divertida Mente ainda pensando que as coisas serão como “qualquer desenho animado”. Claro, já esperava uma viagem extremamente madura sobre qualquer que seja o assunto central, já que a Pixar (com poucas excessões) sempre entregou isso com louvor. Mas o que eu não esperava era ter um revertério na própria estrutura da história.
Quase toda história vai colocando seu protagonista em situações cada vez mais tenebrosas. Joga o “herói” contra obstáculos mais e mais complicados. Isso é o crescendo dramático. O caminho ao climax. A tensão precisa ir aumentando, de maneira a prender você cada vez mais à cadeira. Mesmo que isso funcione, nós nunca deixamos de esperar que a resolução venha. “Tudo vai voltar a ser como antes”. E na enorme maioria das vezes, tudo de fato volta ao normal. Acabada a missão, o herói volta pra casa, provavelmente tendo aprendido algo sobre trabalhar em grupo, respeitar os animais, ou não invocar demônios tentaculares de outra dimensão.
Em Divertida Mente, ainda no meio do segundo ato, você já tem total certeza: isso aqui não vai voltar ao normal. Nunca. Essa criança nunca mais vai ser a mesma. Os eventos desse filme vão deixar cicatrizes. Na protagonista e em mim, pobre expectador. É irônico, já que uma definição que eu uso em aulas de cinema para “divisão entre atos” é “um evento ocorre, e as coisas não podem mais voltar a ser o que eram”. Mesmo assim, é muito difícil encontramos, numa história, algo que realmente nos envie para esse calabouço de desespero, o bom e velho “Putz. E agora?”. Só mesmo quando morre um Stark. Boas histórias deveriam fazer isso o tempo todo. Porque boas histórias são extensões simbólicas da nossa própria história de vida. E na nossa vida esse tipo de evento acontece pouco, certo?
Ao ler o excelente Turma da Mônica - Lições, dos irmãos Lu e Vitor Cafaggi, me deparei também com esse fenômeno. O quarteto eterno está lá, Mônica, Cebolinha, Cascão e Magali, vivendo estripulias, causando desordem, quando eles tomam uma decisão. E essa decisão tem consequências. E todos sofrem com isso.
E naturalmente, tudo ia voltar ao normal. Tudo ia ficar bem. Eles iam acabar bem, como sempre acabam. A Mônica ia voltar a colocar o vestido vermelho clássico, ia deixar de usar esse uniforme amarelo, estranho, que usa durante quase a revista inteira. Acontece que os eventos se desenrolam, a história progride, e a revista vai acabando. E nada daquele confortável status quo voltar do limbo. Não só iludido pelas clássicas histórias da Turma da Mônica, que nunca tinham o objetivo de serem os estudos de personagem que essa série MSP 50 é, mas sim anedotas, piadas, aventuras fechadas. Mas também pelo que eu sempre espero de histórias envolvendo a infância. De que tudo vai acabar “bem”.
Mas o peso das aspas em “bem” é muito grande. Porque “bem” não é o status quo. Especialmente quando falamos da temática que está fluindo de Divertida Mente e de Turma da Mônica - Lições. “Crescer dói”, ouvi uma vez falarem. Um pastor tinha levado seu filho ao médico, por causa de dores leves no corpo. O diagnóstico foi simples e suscinto: crescer dói.
Crescer é difícil, uma afronta aos costumes e aos paradigmas que você acredita serem os pilares da Terra. Crescer é você entender que o ontem morreu. O ontem nunca mais vai voltar. Ao chegar num sábado, a sexta-feira evapora-se num oceano de memória, virando espuma. E como aprendemos com a Mônica, no final da revista, glória a Deus pelo sábado muito esperado. “Bem” é a sexta-feira não retornar. É termos as ilhas dos paradigmas internos serem esmigalhadas pela dor da realidade, e nos recuperarmos com um abraço. Não é deixarmos para trás aquilo que nos faz criança, mas entendermos que não é daquilo que viveremos dali para frente.
É um truque muito bonito. Fazer você pensar que aquela última ilha vai sobreviver. Fazer você pensar que o quarteto vai continuar junto para sempre. E aí uma palavra mágica. Um sutil movimento da mão. Lágrimas correm. O choque atinge. A catarse se completa. Você olha para trás, uma última vez, e vê de longe a memória sumindo, saudoso, e então vira sua cabeça para a única direção que realmente importa. Para frente.
E o coelho está fora da cartola.
Aplausos, Pixar. Aplausos, Irmãos Cafaggi.