Terça-feira, 7 de Julho de 2009
O Assassino Terrívelmente Lendo com a Arma Extremamente Ineficiente
CORRAM!
Terça-feira, 5 de Maio de 2009
Teatro: O Caderno da Morte
Eu não gosto da Animeinvasion. Aliás, eu odeio a Anímeinvasion. E não vou me preocupar em soltar um #prontofalei.
Não é que não gosto de anímes, de mangá, ou da cultura japonesa, muito pelo contrário. Cresci vendo Dragon Ball Z e Cavaleiros do Zodíaco, como toda criança brasileira. Samurai X e Patlabor são outros favoritos. Pouquíssimos artistas no mundo conseguem realizar obras tão completas, intensas, poéticas ou enlouquecedoras como Paprika, Akira, e tudo o que o Hayao Miyazaki toca. Ouso dizer que hoje nas bancas a HQ de maior qualidade visualmente artística é Vagabond, vou jogar Final Fantasy até o fim de minha vida, e eu li e leria novamente num piscar de olhos (em termos de decisão, não de ação) o magistral tijolo duplo Musashi, de Eiji Yoshikawa.
Mas só de tempos em tempos me deparo com uma obra dessas. A enorme maioria dos mangas é tosca, na minha concepção. Não me atrai em nada. E o fato de milhares de pessoas simplesmente adorarem qualquer coisa vinda do Japão, independente de sua qualidade, reforça a minha aversão a “enlatados japoneses”. Personagens (e fãs) que falam como se tivessem tido um derrame. Tramas toscas. Personagens posudos. Poxa, será que algumas HQs americanas fizeram tanta escola?
Então eu não esperava muita coisa de uma apresentação de teatro baseada num aníme. Não conhecia nada do anime, só a premissa. Um garoto encontra um caderno que lhe permite matar qualquer pessoa, só por escrever o nome dela nesse caderno. E ele se transforma num serial killer com isso. E mais nada. Então lá fui eu, a convite de meus cúmplices do Sketchcast, e saí espantado do teatro.
Yuki, eu, o ator que interpreta L (um dos melhores no palco) e o Gravata.
Nós posando com o mais carismático personagem, o deus da morte.
A peça conta essa mesma história, apresentando personagens extras, como o deus da morte, dono do caderno, que vira um tipo de consciência do garoto; o pai dele, o policial encarregado de prender esse “assassino misterioso”; o mega-detetive internacional e oculto, que abusa de seus poderes de dedução para pegar o assassino, e uma eventual fã do assassino, que também encontra um caderno desses.
O cenário era extremamente simples, mas tinha uma utilização impressionante.
Todos os atores interpretam personagens diversos. Extras, personagens menores, comic reliefs, ao final da peça você se surpreende por ver somente 5 pessoas no palco. A caracterização e descaracterização perfeita, além de cenas de dialogação complexa, interagindo duas cenas independentes, demonstra uma inteligência na hora de escrever e adaptar e ensaios extremos. Essa roupagem de teatro profissional, que até conseguiu me fazer rir das referências menos queridas (por mim) ao “aníme way of life”, conseguiu contar uma história muito boa de uma maneira muito boa. Me deu vontade de conhecer o anime. De ir atrás, ver se esse é um dos poucos que se salva. Se dependesse da qualidade que eu vi no palco, certamente seria.
Nós posando de policiais com o ator que interpretava o chefe da polícia.
Atuações memoráveis e carismáticas, uma direção firme, artifícios criativos de iluminação e de posicionamento de palco. Essa peça é algo que eu nunca vi: profissionais fãs realizando um trabalho emocionante e altamente competente. Espero poder ver novamente. Os atores são extremamente simpáticos ao conversar com o público, solícitos, interessados nas reações, só podemos tirar a conclusão de que amam o que fazem. E é assim que se faz arte da melhor maneira possível.
Nós com a mocinha da história e o protagonista.
Para mais detalhes sobre a produção, acesse o blog dessa trupe, clique aqui. E de um check no que nosso bastião de nerdeza e informação tem a dizer sobre a trupoe, acesse o Sketchtrash!
Quarta-feira, 22 de Abril de 2009
@EdirMacedo
Quarta-feira, 25 de Março de 2009
10 a 15 anos no futuro
Copiado sem a menor discrição do Amigo do Meu Primo
Terça-feira, 17 de Fevereiro de 2009
Sábado, 14 de Fevereiro de 2009
John Adams, Heróis e Lula, o Filho da...

Mas me chamou a atenção, acima de tudo, a maneira como os americanos como um povo reverenciam a figura do presidente, e idolatram sua Constituição acima de tudo, como se tivesse sido escrita por Deus.
A comparação com o equivalente do meu país é inevitável. Olhe só para a figura do nosso presidente. Não especificamente o suíno que governa hoje, mas para quem o presidente é para a população.
Ninguém respeita ninguém aqui. Ninguém tem um mínimo de admiração pela personalidade eleita pela maioria do povo como líder, guia, representante e voz perante o mundo.
Claro que ai há um parêntese de dois lados. Do lado americano, há pessoas levam ao extremo a infalibilidade presidencial. Lembro-me de uma conversa que tive com uma americana cristã e orgulhosamente republicana que chamava George W. Bush de seu irmão em Cristo, e virou o Hulk quando eu perguntei "E o que você acha do Michael Moore?". Do lado brasileiro temos uma sucessão de presidentes, líderes e políticos sujos e egoístas, sedentos de poder.
(daí você pergunta: e nos EUA não tem isso? É claro que tem. Só que lá a justiça funciona melhor, já que podemos ver o impeachment de Richard Nixon por muito menos do que o circo do Lula fez aqui...)
O brasileiro comum não tem idéia de como a política funciona. Vive no ostracismo intelectual e só sabe que "quem tá lá em cima não é confiável e quer dinheiro", ignorando o fato de que foi quem o colocou lá.
Ao ver o discurso de Obama, não pude deixar de pensar na nossa constituição. Ela que foi criada a partir do interesse de uma galera que até hoje, até esse dia, ainda se mantém nos altos escalões do poder.
Recentemente passou na HBO uma bela minissérie que contava a história de John Adams.
John Adams foi um dos patriarcas da independência americana. Foi ele, segundo a minissérie, que ordenou a Thomas Jefferson que escrevesse o primeiro rascunho da Constituição americana, aquela que é roubada pelo Nicholas Cage. E ficou surpreso ao encontrar não uma declaração de independência, mas uma defesa para todo ser humano em sua condição, abaixo de Deus, como ser humano.
Jefferson, Adams, Benjamin Franklin eram homens marcados para morrer pela coroa Britânica (posto já ocupado por Guy Fawkes e Jack Sparrow!). Eles estavam traindo a Inglaterra pelo que acreditavam ser o futuro de seus filhos. Eles sangraram por isso. Então não é de estranhar que são vistos como heróis.
Eu não quero saber se o Benjamin Franklin era louco ou se Thomas Jefferson fazia orgias com suas escravas regadas a ópio. Esses homens, não importando seus defeitos, fizeram algo grandioso. Eles se tornaram um símbolo. O que esses homens se tornaram ultrapassou suas vidas, e até mesmo seus atos. Como disse um certo milionário uma vez, um símbolo é incorruptível. Você não pode confiar num homem, mas num símbolo você pode. Porque é algo eterno, é algo imutável.
A constituição americana traz isso. Todas as emendas, todos os parágrafos. Estão lá porque são o melhor para o povo, e o povo sabe disso. A maioria do nosso povo nem sabe soletrar a palavra "constituição".
É uma triste comparação ver nosso povo não fazer nada para impedir essa subnutrição. O nada só produz mais nada. E nada é o que será o povo do qual nossos filhos farão parte caso não hajam líderes que queiram fazer mais do que ter. Que se importem realmente com progresso. Cada novo mokujin maleável que chega no poder só quer fazer o mesmo dos anteriores: empregar os amigos e aumentar sua conta bancária. E isso é um retrato do povo brasileiro. Isso reflete o que o povo em sua totalidade é. Um povo de pensamento simples: aqui e agora, juntar, pilhar e arrotar.
Não importa o que digam, o presidente atual é esse tipo de pessoa. Não fez nada até agora para provar o contrário. Acessorado por uma quadrilha com o mesmo pensamento, ele não é um símbolo. Eles não são os símbolos que o país precisa. E infelizmente, não há no horizonte ninguém que seja.
Nossa independência foi planejada e executada por gente do mesmo tipo. Fazer agora o que é melhor pra mim. Ou você realmente acha que o verde e amarelo simboliza florestas e ouro?
O pão e circo precisa morrer. Nossos filhos precisam de símbolos.
Quinta-feira, 12 de Fevereiro de 2009
Domingo, 8 de Fevereiro de 2009
Renascer Warehouse Dave Matthews Praise
Agora veja a música Somos teu Povo, do Renascer Praise XI. Só a introdução já basta.
Agora... O que está acontecendo...?
Aahhh Hernandez...
Terça-feira, 3 de Fevereiro de 2009
Um abraço
Eu disse:
- Lá as pessoas andam pra cima e pra baixo com guarda-chuvas. Povo iluminado...
- É que lá chove né. E faz frio.
- Mas o frio é bom para abraçar alguém. Aliás, o frio foi inventado por isso. Abraço.
-... Ah é? E como você explica o fato dos latinos serem tão calorosos e o conhecido comportamento durão e distante dos nórdicos?
Eu fiquei sem resposta. Por 15 segundos.
- Do mesmo jeito que explico a minha vida. Deus é um grande piadista.
Sexta-feira, 23 de Janeiro de 2009
O Curioso Caso de Benjamin Button

A vida só pode ser entendida quando, no final dela, você olha para trás, para toda a extensão que ela representa. Ou como diz o trailer do filme, “Você só pode entender a vida ao contrario”.
O Curioso Caso de Benjamin Button. O mais humano e emotivo filme que já saiu das mãos de David Fincher, diretor dos clássicos Clube da Luta e Se7en, estreou no Brail há pouco tempo e ontem foi indicado para um montão de Oscars. Está com cara de que vai ser o grande vencedor, mas isso importa pouco. Ganhando ou não um exército de Surfistas Prateados Dourados, o filme não deixa de ser um filme fantástico em diversos níveis e por diversos motivos.
Narrada do leito de morte de uma idosa às vésperas do Furacão Katrina, conta a história de vida de um homem que simplesmente nasceu velho e retrocedeu no tempo sua vida toda. Perfeitamente exemplificado por uma bela cena inicial, cheia de significado e sentimentos pesados, o relógio dele roda no outro sentido. Dessa forma, você entra no mundo dele, vendo tudo rodar ao contrario, mas nem tanto. Um homem crescendo, enquanto diminui. Encontrando pessoas que lhe marcam, vivendo experiências, se adequando.
O filme acompanha a vida de Benjamin, uma vida de mudanças, de aventuras, de amor e romance, e ao mesmo tempo mostra a vida do outro personagem central, Daisy, o grande amor de sua vida.
A primeira coisa a se notar sobre o filme são seus efeitos de computação. O personagem de Benjamin é, em 70% do filme, obra da computação gráfica aliada à atuação de Brad Pitt. E o grande trunfo do filme é você acreditar nisso. Um velho-criança com as feições de Pitt, com poucos pontos onde você reconhece a CGI. A CGI também é usada em cenários fabulosos, e em outros personagens, para rejuvenescer ou envelhecer, mas o astro dos efeitos especiais é mesmo Benjamin. Merece prêmios, ainda mais porque é uma CGI usada a favor da história, da construção do personagem, e não só para “mostrar coisas impossíveis”.
Todos os personagens são interpretados com extrema competência, com um destaque especial para Cate Blanchett como a bailarina Daisy. Sua linguagem corporal de bailarina, aliada ao peso de sua personalidade lhe criam um personagem bem memorável. Tilda Swinton, a rainha Jadis de Narnia consegue roubar a cena novamente (parece que esse é o trabalho dela) como um dos amores da vida de Benjamin, e Brad Pitt traz a bela atuação que estamos acostumados, agora finalmente uma atuação de Oscar. Sem falar de Taraji P. Henson que interpreta a mãe adotiva de Pitt, indicada merecidamente ao Oscar.
Cada personagem é uma pequena parte do brilho do filme. Você não sente raiva do pai de Button, que o abandona no começo do filme, mas sim se desespera junto com ele. Surpresa, já que Jason Flemyng nunca teve uma atuação notável antes. O cara já foi até capanga de Carga Explosiva! E aqui ele está a nível do resto do elenco. O capitão do navio, o cozinheiro shakespeariano, a própria filha de Daisy, que acompanha sua mãe no leito de morte, todos trazem seu talento e acrescentam ao filme.
Fotografia e direção de arte bastante notáveis, e a mão de David Fincher em tudo. Você vê um padrão em seus filmes, que pararam de ter um aspecto “videoclipe”, como Clube da Luta e Quarto do Pânico, para ficarem lentos, longos, com um belo trabalho de ritmo que ajuda a contar a história, como em Zodíaco. O ritmo lento de Benjamin Button é lento pela primeira metade do filme, e acredito ser intencional o aumento dele quando Benjamin chega numa idade jovem, uma perfeita ilustração do ritmo de vida dele.
Impressiona também como há cenas em que não se consegue tirar os olhos da tela, mesmo se tratando de um filme lento. Cenas como a primeira cena do relógio, ou a cena da mulher que esquece o casaco, ou cenas mais simples, como o primeiro diálogo de Benjamin e Daisy na escola de dança são pura cinematografia mágica em ação.
É um filme assombroso. Ele te assombra com o tempo. Te lembra de que a morte é uma visita inevitável, e que todos caminham pra ela, não importando a estrada que peguem. Mas isso não quer dizer que não possa ser uma viagem bela, cheia, plena, com escolhas, onde você as vezes se sente em casa, as vezes se sente totalmente deslocado. O tempo não para, para ninguém, em nenhuma direção, como a cena final nos fala. Como vamos olhar para nossa vida quando o relógio estiver perto do fim?
(Só não gostei do beija-flor. Achei forçado.)







