segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Paz na Terra



Vamos lá, aquela festa que todo ano tem.


Feriado coletivo, presentes, estradas cheias. E Esqueceram de Mim, Scrooge, Quebra-Nozes. E um monte de pessoas que todo ano vão e dizem que “isso não é o Verdadeiro Sentido do Natal”.


Você não vai ver o verdadeiro sentido do Natal num filme da Disney. Não vai. Eles provavelmente vão colocar muitas coisas bacanas mesmo. Mas alegria, fraternidade, bondade entre as pessoas, isso são subprodutos. O Natal é o resumo de duas coisas.


“Você não está sozinho”. “Você é amado”.


Não importa muito nesse âmbito se você acredita ou não, não quero fazer um exercício de fé. Quero fazer um exercício de sentido. Depois você faz um exercício de fé.


Mas imagine que sim, Deus existe. Ele pode não ter barba branca. Ele pode não ter barba. Mas Ele tem senso de humor. E não necessariamente se veste numa toga como imaginava Michelangelo. Só imagina, não precisa se dar ao trabalho de acreditar. Imagina que Isso o que é Deus, algo de imensurável complexidade e tamanho é capaz de todas as coisas e mais uma. É capaz de criar mundos e universos e formigas e buracos negros e mecanismos quânticos e ondas do mar. 

E estrelas.

E além disso é capaz de amar. Não “amar” como você entende logo de primeira, mas é capaz de um sentimento incompreensível, cuja melhor definição que os poetas, os clérigos e músicos country demais encontraram foi “amor”.


E Isso que É Deus quer se aproximar Disso que Ele criou. Ele criou a humanidade, e dizem que até hoje é amplamente criticado por isso. E mesmo assim Ele acha infindável valor em cada pedacinho de carbono vivente e “pensante”. E Ele pensa em uma maneira de achegar-se. De poder tocar no rosto de outro ser humano sem, por exemplo, o uso de muitos efeitos especiais. Porque Ele quer nos ver de perto. E quer que O vejamos de perto.


Ele quer pessoalmente passar o braço em volta do ombro de alguém que está se sentindo sozinho e convencer esse alguém do erro que está cometendo em se sentir assim. Ele quer pessoalmente dizer para aquela pessoa que aquele sentimento que fez supernovas explodirem, selvas crescerem e moluscos abrirem os olhos está vivo por ela.


Aí Ele inventou o que foi moldado ao longo dos séculos para parecer o “Natal”.


O problema é esquecer, sempre é esquecer. Porque todo mundo, em algum momento, esquece-se disso tudo, e lembra somente de sentir-se sozinho. Esquecem de que tem um ao outro, e que o outro tem valor. E de que temos uma união, no mínimo, no fato de que Ele tentou alcançar a todos nós. Além de sermos feitos de carbono.


Você sabe no que resultaria se as pessoas não se esquecessem disso tão facilmente? Se o Natal fosse usado como uma memorização do fato, mesmo que só simbolicamente, para o caso de não haver um exercício de fé? Se nessa época do ano as pessoas lembrassem de que elas não estão sozinhas?




Nós teríamos Paz na Terra.




É só isso.


Então pelo menos um pouco, tente fazer um exercício de fé. E saiba, não imagine, saiba que você não está sozinho. Olhe à sua volta. Você vai enxergar as evidências. E agora vá fazer alguém enxergar também.


Vá e convença alguém de que não está sozinho.


Pronto. Você foi O Natal para alguém.


E o que Ele fez deu certo novamente. 



Feliz Natal.

"Glória a Deus nas alturas, e paz na terra aos homens de boa vontade". Lucas 2:14



Glória a Deus nas alturas, e paz na terra aos homens
Lucas 2a a Deus nas alturas, e paz na terra aos homens
Lucas 2:14
Glória a Deus nas alturas, e paz na terra aos homens
Lucas 2:14

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

EINTOPF



“Me conta Dani, O que você faz da vida?”
Henrique (Mario Möhrle), “ENSOPADO” (Dir. Silas Chosen, Flávio Sardinha, 2013)

Até o meio de 2010 eu era publicitário. Ilustrador. E moderadamente infeliz com isso. Estava numa ligeira crise, estava preso num lugar meio insosso em termos de realização pessoal.


Quem viu O Segredo dos Seus Olhos sabe que um homem pode mudar de rosto, de mulher, mas nunca de paixão. E a minha paixão sempre tinha sido Cinema. Contar histórias. Eu só não sabia como fazer isso funcionar direito. 


Daí falei “Deus, meu sonho é esse. Como proceder?”. 


E dois meses depois eu desenhava storyboards para o Não Me Deixe Te Deixar, da 4U Films. Além de interpretar o Diabo. 


Dois anos depois, fui atrás de cursos, as vezes sem incentivo, as vezes empurrado por gente especial à minha volta. Participei de mais outros três curta-metragens, estou participando na produção de um Longa. Escrevi por volta de 4 a 5 roteiros de curta-metragem, um deles já filmado.


E neste último final de semana fechei a sala da minha casa para essa equipe aí em cima filmar outro curta-metragem, dessa vez na posição de Diretor, além de Roteirista. 


E Deus fez dar certo. E essa equipe fez dar certo.


Foram mais ou menos 3 meses discutindo arduamente com o resto da equipe foco narrativo, tipos de humor, saídas para o final da história, referências visuais e narrativas. Mais umas noites mal dormidas para juntar tudo em um roteiro que foi ficando coerente ao longo do tempo. Mais um tempo para criar os storyboards. Mais umas semanas de reunião para definir detalhes na locação. Mais dois dias longos, cansativos, de muita concentração e de móveis da sala em lugares altamente questionáveis. E muita luz na cara, boom no plano, mão na sopa, ensaio com atores (aliás, Pedro Clemente, Debora Settani, Mario Möhrle, Vicky Araujo, formaram um elenco espetacular, que não só atuavam muito bem mas só faziam sugestões que muito adicionavam ao filme. E o Victor Sá, que fez uma participação pequena, mas extremamente memorável).


À equipe, Flávio, Yan, Boi, André, Beatriz, Giovanna, Jessica, Marcelo, Fernando, Gustavo, Bruno, B. Carneiro, os meus profundos e sinceros agradecimentos. Vocês me deram um sonho, a oportunidade de abraçar uma paixão. Nem se eu quisesse eu teria como esquecer este que, se Deus permitir que não seja o único, é o primeiro filme que eu realizei na vida. Sem vocês não haveria argumento, não haveria roteiro, não haveria direção, não haveria planos, equipamentos, atores, filme.


Isto foi um triunfo.

terça-feira, 5 de junho de 2012

27


Teve gente que mandou às 19:30, horário da Croácia.

Teve quem desejou um Feliz Aniversário Heavy Metal.

Teve quem escreveu “sucesso” errado.

Teve professor meu e aluno meu.

Teve gente cobrando sumiço.

Teve gente mandando que não qualifica como “ser humano”.

Teve quem mandou um vídeo do Ed Motta cantando Parabéns.

Teve quem mandou um guarda-chuva-sabre-de-luz.

Teve quem fez uma velada referência a Silas Malafaia, o maldito.

Teve quem desejou que esse ano seja o melhor da minha vida, ou menosprezando os que ainda virão pela frente, ou estava falando do filme do Hobbit no final do ano.

Teve gente me chamando de um monte de coisas legais.

Ninguém mencionou minha altura.

Evangélicos, evangeloucos, espíritas, ateus, xamanistas, budistas, católicos.

Tiveram negros, orientais, caucasianos, extraterrestres, seres que foram invocados ao invés de nascerem. 

A criação me mostra que o criador me deseja um bom ano.

Esse não foi um "dia bom". Todos os dias são bons por causa de vocês.

Obrigado todos! Amo vocês!

segunda-feira, 9 de abril de 2012

O Capitão

O tempo é algo difícil de perceber sem uma “âncora”. Sem um fato que faça você olhar pra trás e enxerga-lo como uma linha. Às vezes você não consegue fazer isso nem usando a sua própria vida.


Mais ou menos na metade da década de 90, quando eu morava em Santos, aparece no nosso quintal de casa um gato vira-lata todo machucado. O gato nem queria nada. Parecia que caiu ali sem ter escolha. Nós cuidamos dele. E quando ele começou a ser convidado a entrar em casa, ele começou o estranho ritual de querer sempre água. E carinho. E comida. E água, sempre água.


Poderia dizer que ele mandou baixar a tal “âncora”, porque começou aí uma linha de história que durou até ontem. Minha bisavó batizou ele de Capitão.


Eu sempre ouvi que gatos eram animais ariscos, solitários, misteriosos, evolvidos com bruxaria, traiçoeiros. Eu nunca consegui concordar com essa opinião por causa desse gato. Ele era viciado em companhia, em atenção. Em beber água.


Nunca importou muito como a pessoa estava. Ou se era eu, meu pai, meu irmão, minha vó, minha mãe. Ele sempre subia no colo da pessoa, exigindo a atenção que entendia ser dele. Ler jornal? Não, porque o gato subiu no jornal. Não importava se estivesse tendo briga. Se o dia tinha sido ruim. Se houvesse guerra. O gato precisava da atenção dele, e de água para beber.


Por falta de palavra melhor, eu digo que isso é uma forma extremamente instintiva de amor, que trazia uma certa alegria para todos nós. Uma constante dessas é algo que alivia qualquer semana ruim. É algo que nos ensina a procurar as coisas simples. Um reflexo do amor de Deus, que no final só quer que nós apreciemos os pedaços de comédia e de ternura com os quais Ele inundou a natureza.


Passaram-se muitos anos. E nesses anos, tanto aconteceu a todos nós. Mudamos. De cidade, de profissão, de personalidade. Eu cresci. Eu aprendi a trabalhar. Comecei a namorar. Minha família passou por muitos altos, muitos baixos. Minha bisavó nos deixou. Tantas pessoas nos deixaram. Tantas coisas nos aconteceram.


E o nosso Capitão continuava pedindo a água dele, a atenção dele. Demandando que nós o amassemos. Mas nunca como um capitão de verdade, nunca com autoridade. Sempre como uma criança pede a alguém que ama. Humildemente, com um miado alto e fino. Só mudou a sua pele, que ficou mais fina, e seus ossos, que ficaram mais salientes, especialmente nos dois últimos anos.


Eu dormia, depois de uma sexta-feira santa de muito trabalho, quando a minha mãe veio nos chamar. Meu irmão assistia O Retorno do Rei na televisão, no alto da madrugada, e Gandalf estava falando para Pippin sobre praias brancas, e além.


Ela nos chamou porque o nosso amigo mais constante nos últimos 20 anos, que acompanhou a mim e ao meu irmão transformarmo-nos de crianças em homens, e a quem nós nunca conseguimos decepcionar, precisava de mais alguns minutos de atenção. Precisava do nosso adeus.


E em seu último ato de amor, ele uniu nossa família. Talvez porque ele gostasse de nos ver juntos, talvez ele achasse que isso fosse algo mais “certo” do que nos ver separados. Talvez ele simplesmente não tivesse escolha. Mas lá estávamos nós 4, a quem ele mais cativou e mudou, em volta dele, só esperando seu pequeno coração parar de bater.


Se vai o Capitão que não afundou com o navio. Mas certamente evitou que afundasse, mesmo sem entender muito bem como fazê-lo.


Sentirei falta do meu amigo.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Porque eu amo cinema

Vi uma lista no AICN dessas, e pensei em fazer a minha, dado que cinema é algo tão essencial pra mim quanto orégano.

Eu amo cinema

Por causa, bem basicamente, do meu pai, que me viciou em ficção científica e cinema de aventura.

Por causa, bem basicamente, de Steven Spielberg.

Por causa da proximidade que a minha casa tinha com o Cine Roxy em Santos.

Porque uma das minhas primeiras memórias envolve Batman e Tim Burton.

Por causa de laranjas.

Porque eu não posso carregar isso pra você, mas posso carregar você.

Por causa dos olhos de Raul Julia.

Por causa da respiração mecânica.

Porque X marca o local.

Porque se você introduzir um pouco de anarquia, as pessoas perdem a cabeça.

Por causa de finais felizes.

Por causa de finais que me fazem pensar demais.

Por causa da escolha de Donnie. E por Mad World.

Por causa da escolha de Peter, e da mentira que ele conta no final do primeiro Homem-Aranha.

Porque você é o que você ama, e não o que te ama de volta.

Porque a única coisa que torna a existência suportável no meio do vazio é o contato.

Porque a necessidade de muitos sobrepõe-se à necessidade de poucos. Ou de um.

Porque somente Stormtroopers atiram com essa precisão.

Porque o fauno pediu sangue.

Porque Lola teve mais uma chance.

Por causa do carrinho de bebê em Os Intocáveis.

Por causa do carrinho de bebê em O Encouraçado Potemkin.

Porque, na Mostra Internacional de São Paulo em 2010, eu assisti Metrópolis ao ar livre e com a Jazz Filarmônica tocando ao vivo a trilha sonora do filme.

Porque foi num cinema, e em película, que eu descobri de onde eu conhecia ela. Era dos meus sonhos.

Porque Han atirou primeiro.

Porque o Mau atirou primeiro.

Por causa da montagem no final de Três Homens em Conflito.

Por causa da vingança suprema em Oldboy.

Por causa da operação Jantar em Casa.

Por causa dos segundos finais do primeiro Jogos Mortais.

Por causa dos créditos finais de Wall-E.

Porque o maior truque do diabo foi fazer o mundo não acreditar nele.

Por causa das sobrancelhas de Jack Nicholson.

Por causa das sobrancelhas de Hugo Weaving.

Porque "eu te amo". "Eu sei".

Porque o Gary Oldman ser quem menos brilha nos filmes do Batman, e mesmo assim é o que melhor atua.

Porcausa dos olhos de Norman Bates.

Porque o meu nome é Zé Pequeno.

Porque o Fernando Meirelles curtiu a caricatura que eu fiz dele.

Porque anjos podem ver cores, se eles quiserem.

Porque eu consigo achar fé, filosofia, amor e verdade em filmes de zumbi, alienígenas, bruxos e robôs.

Por causa de cada quilo do Robert DeNiro em Touro Indomável.

Porque me encontre em Montauk.

Porque é inevitável.

Porque haverá um dia em que a coragem dos homens falhará, mas não é este dia.

Porque no evangélio de São Lucas está escrito que o reino dos céus está dentro de cada homem. De todos os homens.

Porque precisamos lutar para manter essa promessa.

Porque quando acorda de manhã, o Superman é o Superman.

Porque eu vou desligar esse telefone, e você terá uma escolha.

Porque isso é só um cálice.

Porque James Stewart odeia sua atuação em Festim Diabólico, e eu amo.

Porque James Stewart fez Janela Indiscreta.

Porque Grace Kelly fez Janela Indiscreta.

Porque o demônio que habita Rashomon veio pra cá fugindo dos humanos.

Porque em Filadélfia, todo mundo olha nos seus olhos.

Porque nada faz sentido em Kubrick, e eu ainda não consigo tirar os olhos.

Por causa da Bíblia Sagrada em Um Sonho de Liberdade.

Beko. Beko Because.

Por causa das nuvens em Agonia e Êxtase.

Porque Jack Nicholson, Denzel Washington e Joe Pesci sempre fazem o mesmo papel, e ainda assim são papéis formidáveis.

Por causa do bigode de Daniel Day Lewis em Gangues de Nova York.

Porque o que me faz chorar em Edward Mãos-de-Tesoura é Danny Elfman.

Por causa de Asteroid Field.

Por causa de Imperial March.

Por causa de Ice Dance.

Por causa de The Breaking of the Fellowship.

Por causa de unicórnios de origami.

Porque com um único filme, eu descobri que Guilhermo Del Toro é um gênio.

Por causa da intimidade romântica sutil em Os Incríveis.

Porque eu estou falando sério. E não me chame de Shirley.

Por causa dos parafusos do Gigante de Ferro.

Porque eu me escondi embaixo da sacada porque eu te amo.

Porque um homem pode mudar de deus, mas não pode mudar de paixão.

Porque você sabe daonde vem tudo isso, parceiro?

Porque atrás dessa máscara há mais do que carne. Por trás dessa máscara há uma idéia. E idéias são à prova de bala.

Porque sempre olhe para o lado bom da vida.

Porque eu acho a sua falta de fé perturbadora.

Porque eu quero um milhão de dólares.

Por causa de Aston Martins e DeLoreans.

Porque o mundo não é o bastante. Lema da família.

Porque John Williams.

Porque Tarantino.

Porque Jurassic Park.

Porque Charlie Kauffman.

Porque Peter Sellers.

Porque Janusz Kaminski.

Porque Heath Ledger.

Porque as pessoas querem ser enganadas.


Por tantos outros motivos que eu não consigo colocar em palavras.

E você, porque você ama filmes?

sábado, 31 de dezembro de 2011

Em 2011

The time has come yet again.

Em 2011:

• Começa o governo Dilma. Os ministros não sabem o que os espera.

• Chuvas terríveis devastaram o Rio de Janeiro.

• Os rebeldes da Tunísia dão início à Primavera Árabe e tiram os ditadores do poder.

• Incêndio destrói vários carros alegóricos. O culpado não fui encontrado. Digo, quer dizer, uh...

• O presidente do Egito abdica da posição, por causa do grau de sua popularidade. Há anos estável.

• O Japão foi atingido por um terrível Tsunami que colocou à prova a disciplina, humanidade e força de vontade do povo japonês. Eles passaram no teste.

• Um maníaco ataca e mata alunos em uma escola em Realengo, no Rio de Janeiro.

• A Líbia começa a querer sair do inverno.

• Principe William casa com uma plebéia, no que pode ser considerado o evento importante mais irrelevante do ano.

• Finalmente, mataram Osama Bin Laden e deram sumiço.

• União estável entre pessoas do mesmo sexo é aprovada no Brasil.

• A Europa descobre que não tinha habilidade o suficiente pra ficar na corda bamba.

• Dominique Strauss-Kahn, presidente do FMI, é detido acusado de estupro, assédio sexual, atentado ao pudor, genocídio em massa, experiências genéticas proibidas e assalto a mão armada.

• Japão continua em frente.

• Vulcão chileno deixa todos os latinos irritados.

• Primavera Árabe: Why so Syria?

• Maníaco neo-nazista cristão biruta mata dezenas de pessoas na Noruega.

• Líbia descobre que inverno acabou e vira a casaca. Muammar Kadaffi não percebe.

• Presidente Dilma começa a fazer uma faxina interna. Ministros começam a cair.

• Muammar Kadaffi é morto. Libios comemoram. Eeee.

• Galera especializada tenta acabar com a crise impedindo o Mar Mediterrâneo de engolir a Grécia.

• Economistas descobrem que Zeus não existe.

• Agora somos 7 bilhões.

• Berlusconi vai embora. Sai mandando beijinhos.

• Chevron suja o Rio. Pra caramba.

• Ao todo, seis ministros pularam fora do governo Dilma por acusações de corrupção.

• Deus mata Kim Jong-Il.

Nos deixaram Pete Postlethwaite, Maria Schneider, Michael Gough, Elisabeth Taylor, José Alencar, Sidney Lumet, Randy Savage, Jack Kevorkian, Peter Falk, Itamar Franco, Amy Winehouse, Cliff Robertson, Steve Jobs, Sócrates Brasileiro Sampaio de Souza Vieira de Oliveira, entre muitos outros. Muammar Kadaffi e Kim Jong-Il não terão sua falta sentida.

Muito aconteceu comigo. Tive crises. Alegrias. Vitórias. Derrotas. Conheci gente, esqueci de gente.

E o mundo continua girando. E pelo balanço do ano, continuo não conseguindo condenar o dilúvio nem um pouco.

Mais uma chance para você, humanidade. Amanhã é 2012.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Super 8, Nostalgia, e o Poder do Cinema

Vou misturar a crítica de Super 8 com um relato bem pessoal.

Eu tenho tido um ou outro contratempo ultimamente. Se eu acreditasse em inferno astral, diria que ele teve um delay esse ano. Mas tenho passado momentos bem difíceis de dúvida, inquietação, ansiedade monstruosa, sem conseguir permanecer calmo e focado. Escrevi um pouco disso no texto anterior.

E num momento de extremo furor, meu irmão vira pra mim e fala "Pára tudo. Vamos assistir Super 8. Você vai gostar, vai esquecer de tudo isso". Uma hora depois estavamos lá para assistir o filme que mais prometia no ano. Ele, pela segunda vez, querendo pescar detalhes.



O jovem Joe Lamb está crescendo, e está precisando rapidamente aprender a perder coisas, deixá-las para trás. E a sobreviver momentos ruins. Ele e um grupo de amigos, que vivem confortavelmente numa cidadezinha dos Estados Unidos, estão produzindo um filme, e no meio de uma cena, presenciam um acidente de trem. Pouco depois, coisas estranhas começam a acontecer na cidade, e talvez eles possam resolver o mistério.

A premissa é previsível, quase o resumo de muitos filmes da Sessão da Tarde, e não se complica muito além disso, e dos temores e amores infantis. Mas não estamos falando de um filme comum, nem de um diretor comum. Nem de uma intenção comum.

J.J. Abrahms não só criou Lost, a série mais importante da década (se o final de Battlestar Galactica não fosse um lixo), mas dirigiu dois filmes quase impecáveis no quesito de atingir seu objetivo. Star Trek revitalizou a série de ficção científica, dando um tremendo novo respirar aos personagens clássicos, e Missão Impossível III é simplesmente um dos TOP 5 filmes de ação da história. Esse cara sabe, melhor do que ninguém, usar o que o espectador não sabe em favor da história, sem nunca prejudicar o ritmo e a emoção. Menos é muito, muito mais aqui.

E o que este jovem gênio queria com esse filme? Homenagear outro gênio. Steven Spielberg, produtor de Super 8, e criador de alguns dos mais famosos e melhores filmes, capazes de aprisionar você em uma época e sentir saudade. Depois de ver Contatos Imediatos de Terceiro Grau, E.T., Tubarão, Indiana Jones e Jurassic Park várias vezes e notar que não é possível enjoar deles, você percebe que tem algo especial aí.

E Abrahms vai fundo ao pescar as essências dos filmes de ficção-científica e infanto-juvenis do mestre. E.T., Contatos Imediatos, Goonies, todos filmes com muito ou algum toque de Spielberg que são relembrados aqui. Um trabalho de paixão mesmo.

A história do filme é simples, porém seus personagens não. Não só isso, mas seus atores e a direção criativa de Abrahms, que consegue intercalar ação, suspense e emoção com uma facilidade animadora, criam um apelo tremendo. E mesmo tendo uma trama simples, isso não é motivo para que o roteiro seja mal trabalhado. Muito pelo contrário, é possivelmente um dos melhores do ano. Nuances, personagens ótimos e ocasiões cômicas são jóias inteligentemente costuradas pela trama central. Cenas que vão te contando muito usando pouco, mas significando muito mais ainda.

Aprender que coisas ruins acontecem, e que nós sobrevivemos mesmo assim, com perdão, com coragem e com amigos. O valor da família, o valor de acreditar em si mesmo. Pode ser uma mensagem antiga, mas o jeito que é transmitida, em especial na cena do "Letting Go", me emocionou pra caramba.

Em especial porque era algo que eu precisava aprender naquela hora, e precisei de um amigo pra me mostrar. Toda a amizade e cumplicidade, e a coragem de vencer algo impressionante e inexplicável.

Não só por isso, mas pelo filme ser uma homenagem tremenda ao cinema dos anos 80. E o filme tem muito de como eu mesmo sou. Gente que pára pra discutir zumbis, e cantar besteira com amigos. E gostar de coisas "alternativas" como filmes de terror e miniaturas de trens, conspirações governamentais, viagens imaginativas.

O filme certo no momento certo. Super 8 vai ser sempre lembrado por mim como um filme de qualidade impecável, efeitos magníficos e trilha sonora merecedora de Outro Oscar pro Michael Giacchino. Um roteiro sonhador e nostálgico. Mas também como um momento em que eu precisei experimentar o poder do Cinema, e eu precisava de alguém para me levar lá.

Eu li numa crítica que esse filme é uma lembrança de uma geração de crianças que foram ensinadas a sonhar por professores cineastas.

Muito obrigado, Abrahms. Muito obrigado, Spielberg. Muito obrigado, Lucas.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Path to the Dark Side

“Contos de fadas são a mais pura verdade. Não porque dizem que os dragões existem, mas porque dizem que eles podem ser derrotados.” – G. K. Chesterton

Eu encontrei medo esses dias aí.


O problemático é você se ver naquela situação de “estar do outro lado dos conselhos”. Porque eu sempre fui aquele que diz que “o medo é virtual”, que “el epode ser vencido”, que é tudo um condicionamento da sua cabeça. Que ele não é forte. E não por descuido, não por deixar de vigiar, apareceu medo e decepção. No meio de coisas ótimas acontecendo aqui e ali, um pequeno peteleco no primeiro dominó faz a sua confiança cair, e o seu dia mudar de cor.


Muito curioso isso. Chegar a perceber que eu sou tão volátil. Eu, que confio em Deus e que sou venenosamente otimista!


É de chutar o orgulho nas nozes isso. Altamente beneficiário. Perceber que você depende. Que você sozinho é uma formiga.


Engraçado o Universo me apresentar uma pessoa numa situação de sentimento semelhante, mas de profundidade totalmente diferente.


A Larissa é essa moça magnífica na foto, e ela tem um problema com medo constante na vida dela. Nos melhores dias ela o derrota. Eu recomendo que você leia diariamente o blog dela, espremendoolimao.blogspot.com.


O linfoma que fez o seu sangue ter o mesmo impacto utilitário ao corpo dela do que o forró universitário tem para a arte não ataca só o corpo dela, mas a estabilidade de todo o resto dela. E ela vive isso, usa isso, aprende e não desiste. E ela tem me inspirado.


Porque, já dizia um sábio, incerto o futuro é, difícil de prever. O mesmo sábio que disse que o medo é o caminho para o lado negro, onde a vida é uma mancha fraca e inexpressiva, e o abismo é a realidade.


Já dizia outro, que tem Alguém no controle, e esse Alguém tem planos. Todo dia é difícil confiar nesses planos. Mas não dá pra pensar na alternativa.


"Porque eu bem sei os pensamentos que tenho a vosso respeito, diz o SENHOR; pensamentos de paz, e não de mal, para vos dar o fim que esperais. Então me invocareis, e ireis, e orareis a mim, e eu vos ouvirei. E buscar-me-eis, e me achareis, quando me buscardes com todo o vosso coração." Jeremias 29:11-13

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Admiração

Você é louco, sabia?

Daqueles de varrer-se para debaixo do tapete. Daqueles de ser chutado pelo rei de Esparta.

Você faria o Ministro da Caminhada Boba parecer um duque do sapateado.

A única questão é descobrir onde fica a coisa que transporta você até o ponto em que não é essa máscara de austeridade.

Todo mundo tem um estado confortável sobre o qual é permitido mudar a postura para algo não-recomendável pelo fisioterapeuta, usar tons de voz completamente adversos, e pensar o impensável.

Infelizmente nós somos arrastados para um “mínimo denominador comum” de diferenças e de insanidade ao realizar a tarefa de conviver.

Afinal, temos que falar todos a mesma língua, e levamos isso ao aspecto da normalidade. Todos são “normais”.

Mas você sabe do que eu estou falando. Você sabe que não é normal. Você sabe que você é diferente e único. E é a sua loucura que te faz assim. A sua língua própria e inensinável.

Sua paixão, sua maneira de ver a existência. Suas piadas de humor negro, que hão de reservar-lhe um espaço de honra entre o céu e o inferno, um dia. A sua dança. O riso que só você dá, porque só você achou engraçado.

Ninguém é “normal o suficiente” pra ser de fato normal.

E como não admirar que somos incompreensíveis? Como não ver beleza em cada pedaço de bizarrice que somos capazes de realizar? Conseguimos carregar tanta vida e tanto significado em cada vez que pensamos alto, lembramos ter esquecido algo, temos vontade de dançar sem música (ou dançamos sem música) que isso não nos faz somente o “topo da cadeia alimentar”. Isso nos faz uma raça única. E tão inexplicável.

Se fomos feitos à imagem e semelhança de Deus, esse Deus deve ser muito, muito interessante. E um sucesso nas festas.

(dedicado a uma pessoa que, quando perto de mim, nunca precisou ser normal, e é a mais bonita por isso)

segunda-feira, 6 de junho de 2011

1s/s

Fiz 26 anos.

Lá nos fundos da base, soou o "Alerta 30".

Mas não acho que vá importar tanto assim. É só acostumar-se que o alerta pára de tocar. Ou acostuma-se ao barulho dele.

Há muito pra aprender e viver e fazer. De modo que não "me sinto mais velho" há um tempo.

Cada dia estou reconhecendo mais que estou chegando perto de um Futuro. Um futuro inevitável. A uma velocidade de Um Segundo Por Segundo.

E eu quero poder entender que os momentos podem ser belos e eternos, cada um a seu modo.

Quero ser como o Kevin Spacey no final de Beleza Americana, que "no final de sua vida, só podia ser grato por cada momento de sua vidinha estúpida". Quero olhar pra trás como Paulo (o São), e saber que eu completei a corrida, que eu lutei o bom combate, que eu guardei a fé.

Entender que eu soube apreciar a chuva.

Mas esses são pensamentos demasiados futuros.

Agora que tenho 26 anos e sou teoricamente um homem feito, vamos tirar esse blog das traças. Há muito para se escrever com tanta coisa acontecendo na minha vida. E no meu mundo, o planeta Terra.

Volte sempre.